ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/06/2020

No filme “As invenções de Hugo Cabret” é narrada a história de Hugo, um menino órfão e pobre, que tem uma fascinação pelas máquinas e seu funcionamento. Morando na Inglaterra no contexto da Revolução Industrial, Hugo entra nas tubulações de um cinema da cidade para conseguir ver um filme e o funcionamento da máquina por trás da exibição. Infelizmente, essa realidade não se resume às telas, sendo a realidade de vários brasileiros que, por não possuírem renda suficiente para frequentar a sala de cinema, são privados desse lazer e forma de entretenimento.

Tal conjuntura se deve ao fato de haver uma grande concentração de renda histórica no Brasil. Desde o período colonial, em que apenas as elites  agroexportadoras tinham acesso à educação e lazer, o país é comandado por uma pequena parcela da população, a qual rege o em benefício próprio. Esse fato pode ser observado na atualidade, em situações como a sobretaxa da população pobre brasileira e a dificuldade de ser aprovado no Congresso leis que aumentem a cobrança de impostos sobre os ricos. Tanto o fator histórico quanto o atual apenas aumentam a concentração de renda e desigualdade brasileiras, evidenciadas pelo índice de Gini - ferramenta geográfica que mede o índice de concentração de renda de um país, variando de zero a um - cada vez mais próximo de um, ou seja, cada vez mais desigual.

Consequentemente, com o agravamento da concentração de renda, há uma piora na desigualdade social do país. Afinal, com a maioria da população sem as condições financeiras para ir ao cinema, por exemplo, ocorre a elitização desse lugar e a exclusão da maioria, privando essa parcela da sociedade de acessar um importante veículo cultural e de entretenimento. Além de negar aos excluídos o direito ao lazer e cultura, o qual é obrigação do Estado assegurar de acordo com a Constituição Brasileira.

Portanto, medidas são necessárias para  resolver o impasse. O Ministério da Cultura, em conjunto com o Ministério da Economia, deve propor a criação de uma carteira “cinema popular”, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Tal carteira será disponibilizada aos  cidadãos que a requisitarem e comprovarem apresentar uma renda inferior ou igual a dois salários mínimos, e servirá para garantir ao portador dessa a entrada gratuita em até duas sessões de cinema por mês. Espera-se, com essa ação, a diminuição da desigualdade no Brasil e a democratização do acesso da população aos cinemas.