ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/06/2020

Na teoria “Cidadãos de Papel”, formulada pelo jornalista Gilberto Dimenstein, é firmado que, hodiernamente, o cidadão só tem seus direitos contidos em papéis e não necessariamente na prática. Sendo assim, nota-se que a democratização do acesso ao cinema no Brasil não acontece ainda, visto que somente algumas cidades brasileiras possuem acesso a ele. Desse modo, dois aspectos fazem-se relevantes: a displicência estatal, bem como o estereótipo enraizado por empresas cinematográficas.

Primeiramente, a falta de atenção do Estado à questão é fator que impede a democratização do acesso ao cinema. Segundo o pensador Aristóteles, a política deve ser usada de modo a alcançar um equilíbrio social, entretanto, isso não é firmado. Tal fato se reflete nos baldos investimentos governamentais em levar o conhecimento do direito isonômico de cada pessoa, medida que traria um senso crítico a população, e, com isso, buscaria seus benefícios como, por exemplo, o direito ao lazer-elencado no rol dos Direitos Sociais na Constituição Cidadã-. Contudo, por falta de administração e fiscalização de algumas gestões, isso não é firmado, ficando, assim, a balança comunitária cedida ao caos.

Ademais, a imagem negativa dos pequenos centros e periferias criada pelas empresas cinematográficas corrobora à resolução da adversidade. Para a pensadora Hannah Arendt - em sua teoria da banalidade do mal-, quando uma atitude negativa é realizada com frequência e sem questionamento, esse fato é tido como trivial. Análogo a isso, o estereótipo criado é em decorrência da visão capitalista de altos lucros e vantagens comerciais, pois, em lugares com poucas pessoas e rentabilidades baixas, torna-se economicamente desvantajoso levar o cinema a esses locais. Logo, isso acontece porque não há leis que priorizem essa malha social, sem falar da não criticidade aos fatos que torna a teoria de Hannah concreta na realidade brasileira e o infortúnio continuando arraigado na sociedade.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para a resolução desse cenário. Destarte, as Prefeituras devem levar conhecimento sobre os Direitos Sociais aos cidadãos, por meio de palestras e debates nas câmaras municipais de cada cidade. Tais palestras devem ser feitas por advogados e juízes que elucidem os direitos igualitários de cada pessoa, além de solicitarem ao Estado-por uma lista de assinaturas - políticas públicas que tragam empresas cinematográficas para o município. Isso tudo para que haja um esclarecimento dos Direitos Sociais e a teoria de Hannah seja apenas trivialidade.