ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 20/06/2020

Na Grécia Antiga, o direito ao voto era um privilégio, de tal forma, que só homens, donos de terras, tinham essa regalia social. Não só nos tempo antigos, mas no contexto hodierno, indivíduos são segregados, sendo banal na inacessibilidade, que cidadãos de zonas periféricas, ou surdos, têm ao buscarem entretenimento cinematográfico, o que dificulta a democratização desse meio. Para isso, tanto o crescimento urbano irregular como a busca Empresarial de lucro favorecem esse quadro.

Primeiramente, o crescimento das cidades sem o devido planejamento suscitou entraves. Trata-se de uma população que nunca viu um filme, por exemplo, do “Homem de Ferro”, ou mesmo desconhece a existência dessa obra. Essa situação ocorre porquê boa parte da economia brasileira concentrou-se em locais metropolitanos, deixando à deriva os menos centrais, como a região Norte, prova disso são os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o qual diz que 90% das cidades no Brasil não têm salas de cinema. Logo, observa-se que essa problemática coibi o direito ao lazer do cidadão, dificulta o desenvolvimento do senso crítico, torna-o um ser sem reflexão a problemas, como o preconceito, os quais, muitas vezes, só são “vistos” num filme, o que remete marginalização da Grécia.

Ademais, o egocentrismo Empresarial voltado ao lucro impulsiona esse caos. Decerto esse embargo é reforçado por monopólios, de empresas, que, às vezes, não tem concorrências em regiões interioranas, o que lhes dá suporte para extrapolar a venda de seus produtos. Por consequência, pipocas são vendidas a preços abusivos no Shopping, há proibições de entrada de alimentos exóticos e os ingressos são vendidos a valores inacessíveis, os quais criam uma oligarquia econômica, na qual só cidadãos da elite social têm direitos a se divertir, e o mais pobre apenas trabalha para manter sua subsistência alimentar e da conta de luz. Segundo o filósofo Jean-Paul Sartre, o inferno reside nos outros. Nisso, evidencia-se que para esses comerciantes o problema está no morador de favela, que é pobre demais, e não tem recursos para gastar com o seu negócio, como dito por Sartre.

Destarte, é mister que o Ministério da Cidadania e o Ministério da Educação revertam os entraves do crescimento urbano desordenado e o pensamento egocentrista Empresarial, por meio do incentivo a iniciativa privada em regiões interioranas, reduzindo impostos para empresas do setor cinematográfico no intuito da redução do preço dos ingressos e pipocas, disponibilizar transportes coletivos gratuitos aos finais de semanas para esses locais e fornecer filmes atuais em televisão aberta. Tal iniciativa deve ainda buscar ajuda de escolas e ONGs a fim de criar salas nas comunidades periféricas, com slides, caixas de som e realizar fiscalizações em estabelecimentos que vendam produtos a valores abusivos, por meio de aplicativos de denúncia. Dessa forma, democratizar-se-á o cinema no Brasil.