ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 21/06/2020
Conhecida como “cidadã” por ter sido concebida por meio do processo de redemocratização, a Constituição Federal foi promulgada em 1988 com a promessa de assegurar os direitos de todos os brasileiros. Todavia, apesar da garantia constitucional, a exclusão de grande da população ao cinema no Brasil configura-se como uma falha no princípio da isonomia. Desse modo, percebe-se que a problemática possui raízes profundas na sociedade, seja pela influência da regionalização nesse processo, mas também pela elitização no acesso à cultura no Brasil.
Mormente, convém ressaltar que o fato está diretamente relacionado a frentes governamentais, que, por sua vez, não aplicam verbas que visam a expansão cultural de forma homogênea. Segundo pesquisas divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 10% das cidades brasileiras têm cinema. Diante de tal contexto, é notório que o processo de regionalização influencia diretamente na democratização do acesso ao cinema, visto que, esse acesso ocorre de maneira muito concentrada, cidades de interior e áreas periféricas são excluídas de tais direitos. Com isso, faz-se fundamental que sejam implantadas medidas que visem uma distribuição cultural mais homogênea.
Outrossim, verifica-se que a problemática se agrava pelo fato de que, cada vez mais, o acesso ao cinema está, mesmo que indiretamente, restrito a elite da população, detentora do poderio econômico. Tal fato deve-se por conta de que os preços estão aumentando exponencialmente e os cinemas são posicionados estrategicamente, em grandes centros e em “shopping centers”, deixando cada vez mais explícita a segregação vivida por essa parcela da população. Essa segregação é exposta na tese de “Autocidadania”, escrita pelo sociólogo Jessé Souza, que relata a situação de vulnerabilidade social vivida pelos mais pobres, que são invisíveis aos olhares do Estado.
Portanto, são necessárias medidas para mitigar a situação atual. Para tanto, o Governo Federal, aliado ao Ministério da Educação e da Cultura deve promover, de maneira equivalente, a distribuição de cinemas pelo território brasileiro, isso deve ser feito por meio de verbas governamentais investidas na infraestrutura de cinemas, além de estabelecer um preço mais acessível, a fim de combater esse imbróglio. Ademais, a mídia como um todo deve promover, em nível mundial, palestras educacionais por meio do ambiente virtual, alertando a população acerca dos prejuízos resultantes da formação de um indivíduo sem acesso a cultura, a finalidade de tal efeito encontra-se e diminuir o percentual e proporcionar consciência coletiva.