ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 28/06/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de desigualdades e conflitos. Contudo, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto da sociedade de More, visto que o acesso democratico ao cinema no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Nesse sentido, diante de uma realidade desigual e instável, que mescla conflitos nas esféras ecônomicas e culturais, averiguar as raízes e frutos do problema é medida que se faz imediata.
Em primeiro plano, é fulcral pontuar que a passividade governamental quanto a democratização do acesso ao cinema brasileiro faz com que esse acesso seja restrito a pessoas de classes econômicas mais favorecidas. De acordo com o pensador Thomas Hobbes, o governo deve garantir o bem-estar da população, no entanto, isso não acontece com a população brasileira de classe social menos privilegiada economicamente, a qual devido ao seu fator econômico não frequentam cinemas. Diante dos fatos supracitados, e em busca de uma sociedade inclusiva e igualitária, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Por conseguinte, é imperativo resaltar a falta de presença da cultura cinemática em nossa sociedade, como promotor do problema. De acordo com o biólogo Lemark, o ambiente determina o ser. Partindo desse pressuposto, observa-se que o meio cultural em que a sociedade brasileira está inserida, não tem o cinema como cultura influente. Dessa forma, a falta de presença do cinema como cultura influente em nossa sociedade, contribui com a perpetuação desse quadro deletério.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da democratização do acesso ao cinema no Brasil. Dessarte, com o intúito de mitigar o problema, o Tribunal de Contas da União deve direcionar capital, que por intermédio do Ministério da Cultura, será revertido em salas de cinema em comunidades carentes, as quais serão de acesso gratuito a pessoas de classes econômicas baixas. Além disso, urge que o Ministério da Educação, implemente nas escolas projetos interdiciplinares sobre arte cinemática, as quais devem serem orientados por pessoas que atuem nos cinemas, visando a implementação do cinema quanto cultura influente e inclusiva aos adolescentes. Com isso, atenuar-se-à em médio e longo prazo a democratização do acesso ao cinema no Brasil, e a sociedade alcançará a sociedade perfeita e igualitária da Utopia de Thomas More.