ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 02/07/2020
A primeira sala fixa de cinema no Brasil, o Salão de Novidades Paris, passou a existir no Rio de Janeiro por iniciativa do empresário Paschoal Segreto no ano de 1897, sendo exclusivamente acessível para a elite carioca. Posteriormente, mais salas de exibição foram construídas por todo o território brasileiro, segundo o portal Filme B, chegando ao recorde de 3500 no ano de 2019. Embora os cinemas sejam cada vez mais presentes e populares, nota-se, ainda, uma massiva diferença no acesso aos recursos cinematográficos no país como subproduto da desigualdade entre as classes e regiões brasileiras.
Em primeira análise, é notável o crescimento das salas de exibição em regiões urbanas economicamente favorecidas, conservando a ideologia de que o cinema é um recurso destinado as elites. Nessa perspectiva, de acordo com o geógrafo Milton Santos, no texto “Cidadanias Mutiladas”, a democracia, extremamente necessária para a fundamentação cultural do indivíduo, só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, na medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadãos. Sob tal ótica, a concentração das redes de cinema em áreas com alto desenvolvimento econômico, provam que não há democratização do acesso à cultura cinematográfica no Brasil, excluindo grande parcela da sociedade de baixa renda.
Paralelo a isso, vale ressaltar o interesse constante de empresas cinematográficas que buscam por salas vip, poltronas com diferentes tecnologias, combos alimentícios que fazem referências aos filmes entre outras maneiras de ganhar em cima do consumidor. Isso pode ser explicado pelo filósofo Theodor Adorno, segundo ele, a indústria cultural apropriou-se da produção de bens de consumo que visam o lucro e fomentam o mercado. Desse modo, constata-se que a excessiva mercantilização dos bens culturais, como o cinema, segrega a população desprovida de amplos recursos financeiros.
Verifica-se, então, a necessidade de ampliar o acesso ao cinema no Brasil. Para isso, faz-se imprescindível que o Ministério da Educação e da Cultura, por intermédio de projetos, instrua as empresas cinematográficas a promover, semanalmente, sessões de filmes a preço popularmente acessível. Paralelamente, precisa-se que a sociedade civil organizada, mediante a criação de projetos de lei, os quais tornam obrigatória a descentralização dos cinemas, pressione o Poder Judiciário a aprová-los, com o objetivo de democratizar o acesso a esse meio de entretenimento. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade culturalmente mais enriquecida.