ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 14/01/2021
Em um episódio da série “Sense 8”, da Netflix, é mostrado as dificuldades enfrentadas por um jovem africano para obter acesso a cultura estrangeira. Fora da ficção, o que foi descrito na obra relaciona-se com um problema da atual conjuntura brasileira, em que a sociedade, de modo geral, tem a tendência a ignorá-lo: a difícil democratização do acesso ao cinema. Desse modo, urge a necessidade de atentar-se a como a insipiência estatal e o meio social fomentam a problemática.
Primeiramente, há de se constatar a displicência governamental. Precipuamente, no livro “Cidadão de Papel”, do Gilberto Dimenstein, é dito que as leis efetivas se encontram majoritariamente na teoria. Outrossim, ao analisar a carência de políticas públicas que objetivam utilizar a cultura cinematográfica como meio educacional, o que ocasionaria na redução de alguns dos preconceitos socias, é perceptível que esse imbróglio se relaciona com as palavras do autor. Dessa forma, há de constatar que, infelizmente, a problemática fere os princípios normativos da Constituição Federal de 1988, que garante acesso a cultura, e causa o recrudescimento do cenário em que a democratização do acesso aos cinemas é dificultado.
Ademais, vale ressaltar a sociedade como agravante desse quadro. Além disso, de acordo com Heidegger, filósofo alemão, o homem se constrói na medida de suas interações. Analogamente, as pessoas, ao conviverem em um ambiente em que a cultura cinematográfica não é devidamente valorizada, podem acabar por negligenciarem investimentos nesse setor cultural para a população. Nesse viés, o Nordeste, zona mais pobre do país, é o estado brasileiro que possui o menor investimento em cinemas, conforme uma pesquisa do site G1. Desse modo, confirma-se, lamentavelmente, que o meio social influi negativamente para a democratização dos cinemas.
Destarte, medidas fazem-se relevantes para mitigar as dificuldades de se acessar os cinemas. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, às mídias e dentro das escolas, instituir projetos como o “Valorizando o acesso à cultura cinematográfica”, responsável por educar socialmente os estudantes e suas famílias. Isso deve ser realizado por meio de trocas de experiências em workshops administrados por professores e diretores de cinemas, a fim de expor, debater e combater as consequências da desvalorização da acessibilidade aos cinemas. Assim, será possível distanciar-se do hediondo cenário apresentado pela Netflix.