ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 19/07/2020

O artista Charles Chaplin, conhecido por sua participação em filmes de sucesso, como “O Grande Ditador” e “Tempos Modernos”, é considerado um ícone do cinema mundial pela multidão de pessoas que assistiam às suas produções nas grandes telas. No entanto, percebe-se que esse ideal está distante da realidade do século XXI, já que o número de salas cinematográficas apresenta um declínio constante ao redor do globo. Nesse sentido, o Brasil hodierno vive uma crise para assegurar a democratização do acesso ao cinema em seu território, uma vez que a falta de investimentos em infraestrutura urbana e a ascensão da pirataria são as principais causas desse impasse.

De fato, os altos índices de dificuldade do acesso à arte têm se tornado uma questão em pauta no país. Segundo o site “Meio e Mensagem”, apenas 17% da população brasileira frequenta o cinema. Esse dado evidencia a insuficiência dos investimentos estatais em infraestrutura urbana para a instalação de novas salas cinematográficas, visto que geralmente apenas as grandes metrópoles do Brasil apresentam cinema com qualidade e repertório. Desse modo, torna-se perceptível que a negligência do Estado em relação ao investimento em reformas e construções de salas cinematográficas agrava os entraves para a democratização da arte no Brasil.

Paralelamente, sabe-se que a ascensão da pirataria é um fator crucial para o desenvolvimento da problemática do acesso ao cinema. Nessa linha de raciocínio, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman defende, na obra “Modernidade Líquida”, que a individualidade é incessante e responsável pelas relações humanas funcionarem como mercadoria. Isso significa que as identidades são trocadas na mesma velocidade em que é lançado um filme, por exemplo. Nessa perspectiva, nota-se que a pirataria dificulta o interesse dos indivíduos em relação às telas do cinema, já que a grande disponibilidade de filmes pirateados na internet e nas ruas tornou-se um problema crescente no território nacional.                  Portanto, é mister que o Ministério da Educação crie projetos de conscientização capazes de especificar que a pirataria é um crime, por meio de debates, campanhas publicitárias e aulas semanais obrigatórias com professores capacitados em escolas de rede pública e privada, para que os alunos possam entender e refletir sobre a importância do cinema e os malefícios da pirataria — via internet ou mercado ilegal — no Brasil. Ademais, compete ao Governo Federal investir na infraestrutura urbana do país, por intermédio de verbas financeiras, para que haja um crescimento exponencial no número de salas cinematográficas. Dessa forma, será possível constituir uma realidade próxima à ascensão do cinema de Charles Chaplin no país.