ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 20/07/2020

No início do século XX, regimes totalitários com doutrinas segregacionistas, ascenderam fundamentados em preconceito, desigualdade e intolerância, em busca de seus objetivos nefastos, diversos mecanismos foram utilizados de forma estratégica, por exemplo, — o cinema. Ainda que o cinema tenha se estendido da “Cidade Luz”, para bons atos ou não, observa-se, na coetaneidade, a existência de um Apartheid cultural, sustentado pela obsessão capitalista, derivando a falta de acesso pela maioria da população. Esse panorama, faz-se presente no Brasil, país com descomunal discrepância socioeconômica. Nessa perspectiva, medidas são necessárias para reverter essa situação. Em primeira análise, é primordial compreender como a massificação da cultura, alimentada pelo capitalismo exacerbado, corrobora para a inercial problemática.

Diante do exposto, é pertinente considerar o ideário sociológico da primeira Escola de Frankfurt, — “Indústria Cultural”; o qual refere-se à cultura, como uma mercadoria fadada à produção em grande escala. Sendo assim, a cultura, a exemplo do cinema, torna-se inviável sua comercialização em regiões economicamente desfavorecidas, visto que não representam um mercado expressivo. Portanto, comunidades de periferias, rurais e pequenos centros, são desrespeitadas em seu direito proposto no Artigo 215º — garantia de acesso à cultura — da Carta Magna, evidenciando o Apartheid cultural brasileiro.

Outrossim, é inegável que a sétima arte, como entretenimento, exerce grande influência em seus consumidores. Uma prova disso está no auge do Império Romano com a sua política do “Pão e Circo”, a qual consistia em amenizar os efeitos das adversidades cotidianas da plebe romana por meio de teatros e espetáculos. Outra prova disso está no argumento supracitado, os regimes totalitários, usavam produções próprias que os magnificavam, mostrando seu poderio perante ao seu povo. Diante do exposto, é indubitável que o cinema é relativo à sua utilização. Conquanto, é relevante até no âmbito da saúde, uma vez que causa grande bem-estar social, proporcionando momentos de alegria e lazer. Sendo assim, o cinema não pode encontrar-se totalmente em domínio estatal, já que provou-se um grande instrumento de manipulação; porém, cabe ao Estado promover medidas para sua democratização no Brasil. Dessa forma, pode-se perceber que a atuação estatal para a democratização do cinema é imprescindível para a construção de uma sociedade mais igualitária. Sob essa ótica, cabe ao Ministério da Cidadania, elaborar uma diretriz orçamentária, a fim de subsidiar a construção de salas de cinema de baixo custo, — controladas por empresas privadas — nas regiões economicamente desfavorecidas, a fim de democratizar o acesso à cultura. Além disso, cabe às instituições de ensino repassarem os efeitos dos exemplos de dominações às massas, desde o início da vida escolar, mediante exemplificações lúdicas e documentários livres ao público. Feito isso, a sociedade brasileira poderá superar seu Apartheid cultural e não serão necessários “mandelas” para essa libertação.