ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 27/07/2020
Em 28 de dezembro de 1825, foi realizada, em Paris, a primeira exibição pública do cinema, a princípio este estava restrito a objeto de pesquisas científicas, ademais, um de seus criadores, Lumiére, acreditava que este não perduraria por muito tempo. Entretanto, na contemporaneidade, o cinema tornou-se um fenômeno mundial, principalmente, entre os jovens brasileiros, porém o acesso ao cinema no Brasil apresenta empecilhos, ao que concerne, a sua democratização. Desse modo, medidas governamentais fazem-se necessárias para superar este desafio.
À vista disso, infere-se a desigualdade social, constada pelo baixo Índice de Desenvolvimento Humano, como contribuinte à problemática, visto a elitização da cultura. Dessa maneira, o contexto de segregação histórica, ocasiona um descompasso social, no qual os indivíduos de estratos segregados pela sociedade tem, transgredido, o seu direito de acesso à cultura, como assegura o artigo 5, da Constituição Federal de 1988. Consoante ao sociólogo francês Pierre de Bourdieu, o “capital cultural” restringe-se aos grupos sociais economicamente favorecidos, sendo, assim, a má distribuição da renda, também, apresenta-se como empecilho na democratização do acesso ao cinema no país.
Em segundo plano, de acordo com dados, de 2019, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 10% dos municípios brasileiros possuem salas cinemas dentro de suas territorialidades, ademais, estas, configuram-se como cidades grande e médio porte, onde há a concentração de renda. Sob essa perspectiva, tal conjuntura funciona como catalisador para a expansão da pirataria – método ilícito de replicação em massa de obras cinematográficas –, visto a possibilidade dos indivíduos segregados terem contato com estes conteúdos audiovisuais. Ademais, este processo é prejudicial ao autor destes, à medida que será, de acordo com o pensador Walter Benjamin, perdida a “aura” – que torna suas produções únicas e as destaca ante as demais.
Em síntese, é notório a necessidades de medidas governamentais para a superação deste desafio. Portanto, é fulcral a Agência Nacional do Cinema (ANCINE), em conjunto com o Ministério da Economia, a implementação do projeto “Caravana da Cultura”, por meio de parcerias com as produtoras de cinematografia nacional, as quais devem adaptar ônibus, para que estes se tornem uma tela cinema móvel, a fim de exibir em locais públicos, das cidades que não possuem salas de cinema, os filmes disponibilizados pelas produtoras. Para que assim, não seja transgredido o artigo 5 da Constituição Federal e, haja, a efetiva democratização do acesso ao cinema no Brasil.