ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 27/07/2020

No filme de comédia “Professora Sem Classe” a personagem da atriz Cameron Diaz faz um comentário dizendo que considera “os filmes como os novos livros”. Tal comentário se faz verossímil diante de tantas produções cinematográficas decorrentes de obras literárias, eventos históricos e cinebiografias. A massa de Hollywood a cada ano concentra suas energias e investimentos para contar histórias reais e que se encontram nos materiais didáticos escolares. Considerado como a sétima arte, o cinema é uma forma de cultura, sendo sua democratização garantida, conforme a Constituição Federal de 1988. Entretanto, fora do papel, isso não acontece.

Em primeira análise, filmes tendem a transmitir histórias e conhecimento. Obras que são baseadas em fatos reais, como filmes de guerra (“A Menina Que Roubava Livros”, “O Menino do Pijama Listrado”, “Olga”, “A Lista de Schindler”) e cinebiografias (“Perdido Em Marte”, “La Vie En Rose”, “Rocketman”) tendem a transmitir informações culturais. Tais longas-metragens fazem com que os espectadores, sobretudo os estudantes, possam adquirir aprendizado e terem uma perspectiva de contexto de mundo baseado na narrativa do filme. Por exemplo, um filme sobre a Segunda Guerra Mundial auxilia em transmitir uma ótica sobre tal conflito, junto com seu contexto histórico e suas consequências. Além disso, filmes são uma ótima opção para não se limitar somente aos livros didáticos e apostilas, sendo também o único meio de informação para muitos que não possuem acesso a esses.

Mesmo com toda uma carga rica de informação, seu acesso não é democrático. Diante da desigualdade social e a crescente urbanização acelerada, decorrentes desde o século XIV, salas de cinema tendem a se concentrar em cidades mais urbanizadas e industrializadas, deixando as menos desenvolvidas à deriva. Percebe-se que a região Sudeste, a mais urbanizada do Brasil, possui muito mais salas de cinema do que a região Norte, mesmo está sendo a maior em área territorial. Um foco de inovações tecnológicas em certas regiões (Sudeste, Sul) e a total falta de interesses em outras (Norte, Nordeste) culmina nesta desigualdade e, como consequência, a falta do acesso aos filmes - fontes de cognição - para muitos.

Dado o exposto e a relevância da cultura cinéfila na formação sociocultural, cabe-se ao Estado, por meio do Ministério da Cultura e Ministério da Economia, a implantação de salas de cinema nas áreas onde há sua carência, além de projetos sociais que cheguem até tais cidades menos favorecidas, com a exibição de filmes de forma gratuita ou ainda redução no preço dos ingressos, uma vez que muitos cidadãos não possuem recursos financeiros suficientes para o cinema. Através desta, a transmissão de cultura e informação por meio de filmes poderá abranger uma parcela maior da população brasileira.