ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 29/07/2020
No final do século XIX ocorreu a primeira exibição de cinema no Brasil, realizada na cidade do Rio de Janeiro, por iniciativa do itinerante belga Henri Paillie, para entretenimento da elite social. Segundo o artigo 215 da Constituição Federal, o Estado garante a todos o pleno exercício dos direitos culturais, no entanto, no cenário contemporâneo não há o comprimento dessa garantia, principalmente em relação ao cinema, visto que, apenas 17% da população frequenta salas de cinemas. A baixa porcentagem de acesso ao cinema está relacionado, majoritariamente, a ausência de salas de cinemas em cidades do interior e em regiões afastadas do centro das grandes metrópoles e também, ao alto valor dos ingressos.
Primordialmente, nota-se a escassez e mau distribuição das salas cinematográficas no Brasil. Conforme dados expostos pelo IBGE, apenas 10% das cidades brasileiras possui cine. Das quais, grande parte se instalaram nas regiões sul e sudeste do país, por possuírem maior influência economicamente, obtendo um retorno financeiro melhor. Dessa maneira as regiões Norte e nordeste ainda permanecem privadas ao acesso a esse lazer, afetando negativamente a democratização do acesso ao cinema no Brasil.
Ainda convém lembrar, o alto valor dos ingressos. Os preços abusivos junto a divisão das salas em categorias de conforto e a proibição de entrada de bebidas e alimento, dividem, ainda mais a sociedade. Tornando as salas de cinemas direcionadas ao público de melhores classes sociais. Como é comprovado na pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, na qual conclui que o ingresso de cinema no Brasil é um dos mais caros do mundo, privando a maior parte da população brasileira ao acesso a esse lazer.
Infere-se, portando, a necessidade de democratizar o acesso ao cinema no Brasil. Cabe ao Ministério da Economia promover maior acesso ao conhecimento e ao lazer, por meio da criação de salas de cinema de baixo custo ou gratuitas em cidades do interior e áreas periféricas das grandes metrópoles, e principalmente nas regiões Norte e nordeste por não ter muita influência economicamente, de modo a minimizar escassez e a má distribuição das salas cinematográficas.