ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 04/08/2020
No seriado Stranger Things, que se passa na década de 1980, é inaugurado o cobiçado shopping Starcourt em Hawkins. Os personagens principais almejam assistir os filmes, porém, o preço é alto e eles entram escondidos. Nos dias que correm não há muita diferença: o acesso ao cinema é restrito pelo seu preço inacessível. O universo cinematográfico é uma fonte de entretenimento, lazer e cultura. Sendo assim, o caráter custoso para o acesso é uma problemática dentro da sociedade.
Em primeiro lugar, é preciso notar que não se trata apenas de uma tela transmitindo algo que está em voga. Os filmes constituem a cultura, tanto os nacionais quanto os internacionais, haja vista que é uma expressão artística que, geralmente, apresenta uma moral em seu fechamento - tanto em ficções quanto em histórias baseadas em fatos. O sociólogo Domenico De Masi apresentou o conceito de “ócio criativo”, revelando que o lazer, que faz está ligado ao cinema, é essencial para o desenvolvimento da criatividade e da produção do ser humano. Desse modo, o universo cinematográfico expõe seu potencial de formação de quem o cidadão é, contribuindo positivamente para uma sociedade saudável.
Posto isso, pode-se afirmar que a inacessibilidade por conta dos altos preços é inconveniente. De acordo com o jornal El País (Cultura), o ingresso de cinema no Brasil pode custar até oito por cento do salário mínimo, ao somar a entrada - que fica entre trinta e quarenta reais- com o transporte e a alimentação (pipoca, refrigerante e afins). Assim sendo, é evidente que, aquilo que deveria ser disponível a todos por se tratar de uma parte do que é a cultura e o lazer, é bastante limitado aos que tem condições financeiras elevadas. Ainda, tal cenário gera exclusão dos mais pobres, haja vista que não podem frequentar um lugar tão comum e formador do seu próprio contexto social.
Destarte, para que o acesso ao cinema seja devidamente democratizado, o Poder Executivo deve desenvolver um projeto em parceria com empresas cinematográficas, visando propor a diminuição do preço dos ingressos. O primeiro deve expor a situação com os dados necessários, fazendo analises precisas e objetivas; isso deve ser levado às empresas que serão convidadas a participar do planejamento, sendo que deve haver foco nas que estão mais presentes nas cidades. A ação como um todo deve ser feita por meio de reuniões entre os agentes e da propagação, pela internet, das decisões tomadas. Dessa maneira, as empresas continuarão a receber o lucro, enquanto mais pessoas terão acesso ao conteúdo exposto, tornando a sociedade mais igualitária.