ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 06/08/2020

Ao longo dos séculos XIX e XX, o Brasil, passou por inúmeras transformações estruturais e sociais decorrentes de um rápido processo de urbanização, sem que fossem priorizadas algumas necessidades básicas da população como o lazer e a cultura. Em decorrência disso, houve o aumento das desigualdades no país, já que a democratização do acesso ao cinema não ocorreu de forma tão efetiva. Tal fato é consequência direta tanto da centralização das salas de cinema, quanto do preço, muitas vezes, inacessível dos ingressos.

De início, é lícito postular que a concentração populacional é um fator determinante na centralização dos inúmeros cinemas pelo país. De acordo com a máxima do filósofo alemão Konrad Adenauer: “todos estão sob o mesmo céu, mas nem todos têm acesso ao mesmo horizonte”. Isso, é evidenciado ao analisar o fato de que a distribuição heterogenia das salas cinematográficas acentuam em desigualdades culturais entre o povo tupiniquim. Pois, as pessoas que residem em regiões mais distantes só terão acesso a esse tipo de manifestação cultural mediante o deslocamento do seu local de origem, e isso muitos vezes é impossibilitado por fatores como distância, tempo e verba.

Outrossim, também é válido pontuar que os altos valores dos ingressos contribuem para a dificuldade na democratização do acesso ao cinema. Nesse viés, é importante ressaltar que a história do Brasil é marcada pela falta de incentivos às práticas culturais, principalmente, entre os menos favorecidos economicamente. Logo, o elevado preço cobrado pelos ingressos dificulta a ida de muitas pessoas a esses ambientes, tanto pela falta de condições econômicas de custear a entrada, como pela falta da necessidade de vivenciar a arte como uma forma de lazer e de enriquecimento pessoal.

Destarte, para amenizar os efeitos decorrentes dessa rápida urbanização, é necessário que a Secretaria da Cultura ofereça incentivos fiscais as empresas do ramo cinematográfico, como a diminuição de impostos e benefícios de subsídios, a fim de descentralizar a concentração dos cinemas e levá-los, principalmente, para os locais menos populosos, tendo em vista a garantia à equidade no acesso à cultura. Além disso, o Governo Federal deve criar medidas de incentivo cultural, por meio do financiamento de metade dos valores dos ingressos, de modo a garantir meia entrada à toda a população, para que pessoas dos mais diversos níveis socioeconômicos tenham acesso à essa forma de demonstração de arte.