ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 11/08/2020
Na era da Pós-modernidade,os avanços do meio técnico-científico-informacional proporcionam imensos ganhos qualitativos à vida humana.Os cinemas,por exemplo,com a intensa tecnologia desenvolvem-se como forma de resgate da ficção do inconsciente,das emoções e até mesmo do próprio cotidiano;cria-se,a partir disso,não só filmes de entretenimento como também obras capazes de provocar processos reflexivos,uma vez que,conforme o filósofo Aristóteles,as representações artísticas-representadas também pelos cinemas-são formas de ensinarem aos indivíduos a lidarem com diversas situações sejam elas dolorosas ou prazerosas.Entretanto,no Brasil,essa perspectiva ilusória é transposta para uma realidade marcada pela desigualdade social,a qual impede grande parte da população ao acesso às telas de cinema,acentuando não só a antidemocracia,mas também a violação aos direitos políticos-sociais.
Em primeiro plano,esse cenário surge a partir de uma intensa e histórica segregação socioespacial. Como disserta o pensador Friedman,durante a industrialização e urbanização,a classe operária estava alocada no centro,próxima às indústrias,em que exerce o papel de mão de obra,ocupando,dessa forma, as áreas urbanas democraticamente.Porém,ao longo das últimas décadas,ocorre um processo descentralizador,que expulsa essa população de baixa renda para a periferia a fim de criar espaços limitados às elites dominantes economicamente. Estes locais,agora considerados nobres,saturam-se de diversos serviços,incluídos aqueles culturais como teatros,exposições,parques e cinemas.Em contrapartida,as margens sociais,afastadas,enfrentam a carência de programas sociais em suas regiões, gerando,por fim,o desincentivo por essa população à cultura-elemento este essencial para a humanização do indivíduo.Essa microesfera municipal se reflete também na macroesfera nacional,onde os serviços culturais intensificam-se em grandes centros urbanos estaduais e empobrecem-se no interior.