ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 12/08/2020
O filósofo chinês Confúcio defende a teoria de que “a cultura está acima da diferença de condição social”, fato que, no Brasil contemporâneo, não é legitimado, uma vez que muitos cidadãos não possuem acesso a um importante difusor cultural, o cinema. Diante disso, vale ressaltar a negligência estatal de combate às desigualdades sociais como transgressor de tal situação, impactando negativamente a formação crítica e intelectual da população.
Primordialmente, é vultoso ressaltar a importância das artes cinematográficas para a difusão da sapiência entre os brasileiros. Nesse contexto, o filme “Bastardos Inglórios”, estrelado pelo ator Brad Pitt, mostra como o cinema é utilizado para transferir conhecimentos à população ao retratar a história de soldados americanos que combatem nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Seguindo o enredo, o governo alemão utiliza a cinematografia para divulgar e idolatrar a história de um atirador de elite, o Fredrick Zoller, como modo de difundir uma imagem positiva e salvadora da política nazi. Dessarte, percebe-se que essa arte constitui-se como uma das variadas formas de expressão cultural, tornando-se uma poderosa ferramenta para a instrução, educação e reflexão dos cidadãos.
Outrossim, é válido salientar as razões pelas quais o cinema não é democratizado no Brasil. Desse modo, a obra literária “Quarto de Despejo”, da autora Carolina Maria de Jesus, narra a vida da autora como marcada pela constante fome e invisibilidade social. A escritora denuncia as desigualdades socioeconômicas em que vive e que são muito comuns no país, alegando que “nós, os povos excluídos, somos invisíveis, ignorados por aqueles de melhores condições e pelo governo, mesmo quando pedimos ajuda”. Portanto, depreende-se que, atualmente, as pessoas que sofrem com essas condições não são ouvidas - ou sequer lembradas - pelo Estado e pelos grandes empresários que, interessados nos lucros, concentram as atividades econômicas nos grandes centros comerciais, incluindo os cinemas. Tal situação, inevitavelmente, dificulta o acesso dos cidadãos marginalizados a essa arte, transformando-a em uma forma de expressão cultural elitizada.
Por conseguinte, diligências são imprescindíveis para reverter tal cenário. Com o intuito de democratizar o acesso a essa arte, é imprescindível que o Ministério da Cidadania, em parceria com as distribuidoras de cinema, estabeleça diretrizes orçamentárias que garantam a acessibilidade às produções. Tal medida deve ocorrer por intermédio do direcionamento dos investimentos à construção de salas cinematográficas em regiões e cidades marginalizadas, tendo ingressos mais baratos e eventuais sessões gratuitas. Logo, será possível universalizar o acesso dos cidadãos a essa fonte de cultura, enriquecendo-os intelectualmente.