ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 26/08/2020
Em meados de dezembro de 1948, o Brasil assina a declaração dos direitos humanos, formulada pela Assembleia Geral da ONU. No entanto, mesmo que, admitindo-se apoiar tal diretrizes, na esfera atual, o papel dos direitos humanos na convivência coletiva, torna-se uma problemática e meramente utópica. Logo, o brasileiro reivindica pela democratização dos seus direitos, a fim de, por exemplo, à oportunidade de circulação a espaços públicos diversos. Nesse âmbito, encontra-se o complicado acesso aos cinemas no Brasil, tanto por uma urbanização desigual quanto às exclusões sociais.
Primeiramente, cabe-se analisar que ter os direitos igualitários sempre foi motivo de atrito dentro da população brasileira. Em vista disso, tem-se às desigualdades impostas diante o direito sobre os espaços públicos, que impulsionaram conflitos como a Revolução da Vacina em 1904. Por conseguinte, quando o então presidente do Rio de Janeiro, Rodrigues Alves, promoveu modernizações nos centro urbanos, realocando as classes minoritárias, que lá residiam, para as hoje periferias, marginalizando-os. Assim, cidades seguem tal redefinição, privilegiando áreas com maior renda, urbanizando-as, desigualmente em comparação com às de menor renda, favorecendo-as com os cinemas. Portanto, inviabilizando a democratização do acesso à todos, uma vez que, cinemas são construídos nas regiões mais caras economicamente, e nem todos podem bancar, além do transporte público por morarem longe, o próprio ingresso.
Segundamente, a exclusão social é, e sempre foi, tema da história do povo brasileiro, retratada na literatura, por exemplo, na obra de Carolina Maria de Jesus: Quarto de Despejo. A autora retrata, mesmo anos depois, o cotidiano de muitos brasileiros, os quais, também enfrentam discrepâncias diante aos seus ´´privilégios´´ além preconceitos sociais. Em suma, na conjuntura atual, poder ter acesso à cultura pelos filmes, torna-se questão de direito, em que uma minoria enfrenta uma exclusão seja devido a sua renda, por não se ´´adequarem´´ ao espaço, seja à sua cor de pele, em que muitos são barrados na entrada.
Em conclusão, consoante ao mencionado fica evidente a necessidade de se combater os obstáculos para a democratização do acesso ao cinema. De certo, cabe-se ao estado, instância máxima de administração pública, o dever de tornar o direito para o acesso dos espaços públicos e principalmente cinemas conveniente para todos. Assim, por meio da popularização da áreas urbanizadas, diminuição dos preços de transporte público e dos ingressos do cinema a fim de que não haja exclusão de qualquer indivíduo em nenhuma espera brasileira atual.