ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 27/08/2020

Na obra “Utopia” do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o acesso democrático ao cinema brasileiro apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da inoperância governamental, quanto da localização geográfica  das telinhas no cenário atual. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Primeiramente, é importante pontuar que a escassez assistencial democrática deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, parcela da população não tem acesso à cultura especialmente o cinema. Como também, pelas dinamizações de salas os ingressos acabam tornando-se mais caros que o normal. Consequentemente, restringindo a parte menos assistida da população que é consequência da má gestão estrutural brasileira. Desse modo, faz-se necessário a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a especulação imobiliária como promotor do problema. De acordo com o Jurista Michel de Montaigne, a mais honrosa das ocupações é servir o público em sua totalidade. Partindo desse pressuposto, os empresários cinematográficos não cumprem esse papel. Uma vez que, majoritariamente os cinemas estão localizado em shoppings e capitais. Afastando assim, moradores do campo e pessoas com menor poder aquisitivo. Tudo isso, retarda a resolução do empecilho, já que o avanço das tecnologias e serviços de empresas tecnológicas oferecem experiências similar por baixo custo ao usuário. Consequentemente, favorecendo o afastamento do público para as grandes telas. Todo esse cenário, contribuí para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas são necessárias para conter o problema da exclusão no cenário cinematográfico nacional. Dessarte, com o intuito de mitigar a ausência democrática cultural brasileira, o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio da Agencia Nacional do Cinema (ANCINE), que será revertida em criação de salas de cinema nos lugares menos assistidos de cada estado. Como também, criando um cartão grátis de acesso ao cinema por três vezes ao mês destinado a pessoas de baixa renda. Esse programa, sendo compartilhado em horário nobre em todas emissoras para atingir maior público possível. Quem sabe assim, o mundo ideal de More venha fazer sentido.