ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 27/08/2020
O período histórico da “Belle Époque”, anterior à Primeira Guerra Mundial, caracterizou-se como uma fase de grande expansão e progresso tecnológico, o que possibilitou a introdução de grandes invenções, como o cinema, em vários países. No Brasil não foi diferente: tal inovação se popularizou e diversas salas de exibição foram criadas ao redor do país. Entretanto, essa realidade não chegou às regiões menos favorecidas, situação que pode ser percebida até os dias de hoje nas áreas com menores recursos, o que indica uma forma de injustiça. Nesse sentido, medidas são necessárias para diminuir tamanho contraste.
Em primeira análise, vale ressaltar que o acesso ao cinema é uma forma de lazer capaz de promover no indivíduo valores de grande importância para seu desenvolvimento e para a vida em sociedade. Isso ocorre, visto que os filmes contribuem para a formação do senso crítico e propiciam o contato com culturas diferentes e, muitas vezes, com elementos da própria cultura, o que favorece o sentimento de pertencimento e de coletividade. A partir do contexto, é importante citar que a Constituição Federal do Brasil de 1988 considera, em seu Artigo 6°, o lazer como um direito social do cidadão, que deve, portanto, ser exercido como tal. Assim, percebe-se a necessidade desse direito ser aplicado na sociedade como um todo, visto seu grande benefício para a população.
Em segunda análise, cabe afirmar que apesar de sua relevância, o acesso ao cinema ainda é algo incompatível com a realidade de algumas regiões do país. Esse cenário ocorre, já que existe uma negligência por parte do governo no direcionamento de verbas para essa área, o que impede que muitos usufruam de seus direitos, como declara a Agência Nacional do Cinema quando diz que regiões de baixa renda ainda sofrem com a acessibilidade ao contexto cinematográfico. Essa conjuntura associa-se ao conceito de Cidadão de Papel apresentado pelo jornalista Gilberto Dimestein, que retrata a falha na aplicação das leis, estagnadas no plano teórico. Logo, fica claro que essa situação problemática prejudica o indivíduo no desempenho da sua cidadania e carece de intervenções.
Diante do exposto, para que todos tenham acesso igualitário e justo ao cinema e possam exercer seu direito ao lazer no Brasil, o governo, representado pela Secretaria Especial da Cultura em parceria com as empresas de cinema deve promover a abertura de salas de exibição em cidades de baixa renda, com favorável concessão de verba, por meio de incentivos fiscais para essas empresas. Tal abertura deve priorizar as regiões com menos opções de lazer e precisa oferecer os ingressos com valores compatíveis com a renda média local. Dessa forma, todos poderão desfrutar de seus direitos e aproveitar os benefícios proporcionados pela incrível tecnologia do cinema.