ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 29/08/2020

Encantado pelas terras brasileiras após mudar-se para o Brasil em meados do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig retrata, no livro “Brasil, um país do futuro”, uma nação de alta virtualidade e potencial em pleno progresso. Verifica-se, entretanto, que a falta de democratização de acesso ao cinema implica o ideal brasiliano outrora enfatizado. É paradoxal, pois, ao passar quase 100 anos atrás, o princípio de Zweig seja apenas uma parte do passado não concretizada devido à restrição dos telões na atualidade, o que faz-se fundamental analisar o porquê, assim como a consequência.

De fato, o problema advém, em muito, de um reflexo de caráter histórico. Nesse viés, a datar da Era Vargas, as indústrias de base começaram a instalar-se pelos territórios nacionais de forma seletiva, em especial priorizando as regiões do sul e do sudeste. Paralelamente, a conservação de tal ótica afetou a distribuição das salas cinematográficas pelo país: ao observar a desleixo desse ramo em inserir-se nas áreas menos desenvolvidas. Por conseguinte, os indivíduos mais carentes costumam não ser lembrados, fora, é claro, submetidos a pagar valores mais altos por ingresso.

Por decorrência disso, verifica-se um vigoroso silenciamento da coletividade. Em consonância a isso, há de se pontuar que a subjetividade presente na ausência de discussão por determinados temas é fruto da não conveniência civil que é lhes concedida. Assim, é necessária uma mudança nos valores sociais para transpor a problemática. Pois, a refletir sobre a queda do Muro de Berlim -evento revolucionário, no qual marcou o fim da bipolaridade política-social imposta à Alemanha na Guerra Fria-, torna-se mais vislumbrante que as pessoas são suficientemente aptas a superar obstáculos.

É oportuno defender, em virtude, que os impasses supracitados instituam desafios a vencer. Para tanto, o Estado, por intermédia das verbas públicas, deve construir cinemas ao redor do país inteiro, com o objetivo de fazer das salas de cinemas alcançáveis a todos, além de investir em minicursos inerente a tais instituições para que, desse modo, os cidadãos sintam-se interessados a ir aos cinemas.

Em conjunto, ainda cabe à sociedade pressionar o Poder Executivo -órgão governamental responsável pela administração de normas legais- a garantir a execução dessas medidas em escala nacional,  a fim de aumentar a distribuição de cinemas para toda população. Com essas ações, aos poucos, o ideal de Zweig combinará muito mais com a realidade do que apenas dentro das páginas de um livro.