ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 26/10/2020

Em sua obra “ O cidadão de Papel”, o memorável escritor Gilberto Dimenstein sustenta que, apesar dos cidadãos possuírem direitos assegurados na Magna Carta Brasileira, a prática deturpa a teoria, haja vista que as leis configuram-se apenas no papel, ou seja, não são efetivadas na realidade. Diante disso, a conjuntura dessa análise configura-se no hodierno cenário brasileiro: o acesso ao cinema, no país, não é democrático. Assim, faz-se pertinente debater acerca do problema que não é observado tanto pelo Poder Público quanto pela sociedade, mas que precisa ser devidamente combatido.

Em primeira instância, é preciso reconhecer que a negligência governamental corrobora a existência do problema. Embora a Constituição Federal de 1988 garanta o acesso à cultura, sua finalidade encontra desafios, visto que o acesso ao cinema no Brasil é limitado, ou seja, não é democrático. Prova disso são os altos custos dos ingressos, bem como a localização privilegiada apenas para a elite brasileira- centros urbanos e shoppings- impedindo que os moradores das áreas afastadas possam frequentar esses ambientes. Em suma, a distribuição das salas de cinema ocorreu de maneira desigual, favorecendo as áreas nobres e impedindo que a população mais carente usufrua desse espaço de lazer.

Outrossim, a inépcia social contribui para a ocorrência do problema. É notório que muitos entraves sociais são facilmente acolhidos pela população. Em outras palavras, a cultura de aceitação, por parte dos brasileiros, faz com que a cidadania não seja gozada por todos de maneira plena. De fato, tal atitude se relaciona ao conceito de banalidade do mal, trazido pela socióloga alemã Hannah Arendt: quando uma atitude ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada, tornando-a banal. Um exemplo disso é a falta de acesso à cultura e ao lazer da maioria dos brasileiros, visto que muitos deles nem sequer possuem o conhecimento dos seus direitos como cidadãos. Nesse sentido, a sociedade banaliza a dificuldade de acesso ao cinema.

Logo, tendo em vista as análises apresentadas, faz-se necessária a adoção de medidas que visem erradicar o conflito supracitado. Para tanto, cabe ao Ministério da Cidadania ampliar o cinema no Brasil, por meio da construção de salas em áreas afastadas bem como a disponibilização de vales para o acesso gratuito uma vez ao mês a todos os indivíduos que possuem renda igual ou inferior a um salário mínimo, a fim de democratizar a cultura no país, Ademais, cabe ao Governo Federal realizar campanhas, vinculadas às mídias- redes sociais, rádio, TV- informando toda a população acerca das novas salas de cinema construídas para que todos possam gozar do direito ao lazer assegurado pela Magna Carta Brasileira.