ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 05/09/2020

Segundo a arquiteta Thaís Frota, se um lugar não permitir alcance a todas as pessoas, este lugar é deficiente. Analogamente, evidencia-se o cinema como deficitário, já que, no Brasil, nem todas as pessoas tem acesso a esse espaço, sendo necessária de imediata sua democratização. Nesse contexto, convém analisar as causas e consequências dessa problemática, que estão associadas à negligência estatal e a uma lacuna legislativa.

A princípio, a elitização do cinema deriva da ausência de políticas públicas. Nessa perspectiva, o pensador Thomas Hobbes defende que o Estado tem o dever de garantir o bem comum. Todavia, isso não acontece no que tange o espaço cinematográfico, ora pelo Governo não subsidiar a população mais pobre na compra de entradas, tampouco no barateamento destas, ora por  não atuar na construção de cinemas em áreas em que ele, muitas vezes, ainda não é uma realidade - regiões norte e nordeste.

Ademais, esse cenário contribui com o processo de descrença na Constituição. Embora ela preveja a todos os cidadãos o direito ao lazer e ao bem-estar social, a população marginalizada não tem estes direitos garantidos. Isso por que esse grupo o qual, geralmente, ganha menos de um salário mínimo, não possui recursos para usufruir das salas de cinemas, que estão em constante encarecimento, implicando sua exclusão do âmbito cinematográfico. Nesse sentido, constata-se a “cidadania de papel”, termo cunhando pelo escritor Gilberto Dimestein, que diz respeito à existência de direitos na teoria, mas que não ocorrem na prática.

Em suma, medidas são necessárias para resolver a questão. Destarte, o Governo, em parceria de ONG’s , deve promover a construção de cinemas em áreas de maior concentração populacional. Essa ação ocorrerá por meio de arrecadações virtuais de dinheiro, com o intuito de tornar o ambiente do cinema acessível a grande massa de indivíduos, para que, assim, a democratização do acesso ao cinema se faça presente no Brasil. Dessa forma, a deficiência do espaço cinematográfico tornar-se-á mazela histórica da sociedade brasileira.