ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 12/09/2020
De acordo com a lei promulgada pela ONU em 1948, todo indivíduo tem direito à saúde, educação e lazer. De forma análoga, tal premissa no Brasil é desestruturada quando, infelizmente, uma grande parcela da população contemporânea não tem ou não pode ter acesso ao cinema. Nesse contesto, entender as diretrizes que fomentam a dificuldade ao contato com o cinema brasileiro urge atenção, pois a situação é um mecanismo de aumento à desigualdade social, ainda mais quando a acessibilidade em cidades pequenas e periferias é praticamente restrito.
Primeiramente, é significativo inferir o cinema enquanto esfera de formação crítica e lazer, assim, tendo um papel importante no indivíduo e na arte. Desse modo, torna-se verdadeiro quando o filósofo Edgar Morin pondera, com esmero, que a reforma do pensamento, resulta na reforma da educação. Sendo assim, os altos custos que fazem com que uma grande parcela da população não possa comparecer às artes cinematográficas brasileiras, prejudica diretamente o pensamento crítico e a educação de uma classe social mais baixa.
Outrossim, um dos agravantes para que o espaço cinematográfico não seja democrático e inclusivo é a desvalorização de áreas periféricas e interioranas, a problemática infere-se diretamente no lucro das empresas que escolhem seu público de acordo com o capital que gira na área em que desejam estabelecer um negócio cinematográfico. Logo, o sociólogo francês Erving Gofman tem razão quando defende que o normal e o estigmatizado não são pessoas, mas sim perspectivas. Dessa forma, a perspectiva de que interiores e zonas periféricas geram menor rentabilidade, prejudica a acessibilidade dos mesmos, juntamente com a educação desses moradores.
Nesse prisma, o espaço cinematográfico brasileiro não é democrático e carece de atenção para que possível medidas o torne inclusivo. Assim, urge o ministério da educação criar programas sociais que facilitem acesso de jovens e adultos, sem restrição de idade, ao cinema, sendo através de uma brusca redução de preços ou criação de cinemas sociais em locais periféricos por meio de Ong. Tais ações podem ser intensificadas junto às escolas que podem promover cinema na sala de aula em locais de difícil acesso, por meio de plataformas streaming e encontros com artistas locais. Dessa maneira, o cinema será um espaço democratizado, e a lei promulgada pela ONU será inclusiva e alcançada.