ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 17/09/2020
Promulgada pela ONU, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos direitos básicos, tais com: cultura, lazer e bem-estar social. Entretanto, o Brasil se afasta dessa realidade ao se analisar os desafios da democratização do acesso ao cinema no país. Assim, a desigualdade socioeconômica, em consonância com a ineficiência estatal, se tornam os fundamentais pilares desses conflitos. Nesse sentido, subterfúgios devem ser encontrados para a resolução desse impasse cultural.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar a grande desigualdade estrutural nas cidades como a principal potencializadora desse problema. Nessa linha de pensamento, o sociólogo Karl Marx, em sua análise da população pós Revolução Industrial, menciona que a garantia dos direitos sociais é mais ameaçada nos locais de moradia das classes economicamente desfavorecidas, como nas favelas, por exemplo. Logo, com a falta de cinemas nos bairros mais pobres, ocorre a dificuldade da democratização do acesso à cultura, uma vez que a distância entre o estabelecimento e a população influência, diretamente, em sua utilização. Assim, as classes mais ricas se beneficiam, de modo exclusivo, de um direito universal na prática.
Paralelamente a esse canário, surge a inobservância do Estado, inerente à cultura, como reflexo direto desse alarmante panorama nacional. Nesse espectro, o site O Globo divulgou uma pesquisa, na qual informa que cerca de 62% dos jovens, das classes mais baixas do Rio de Janeiro, não sabem quais são os filmes em cartazes no cinema da cidade. Por conseguinte, sem o incentivo do governo em difundir a cultura na sociedade, ocorre o desinteresse da população em relação aos cinemas, o que dificulta a sua acessibilidade e a democratização na sociedade. Dessa forma, são imprescindíveis ações do Estado para solucionar os problemas supracitados.
Fica evidente, portanto, a relevância do debate acerca dos cinemas no Brasil. Desse modo, o Superministério da Economia - principal responsável pela infraestrutura do país - deve, por meio de leis e decretos para um maior direcionamento de verbas ao âmbito social, construir salas cinematográficas nos bairros favelizados e pobres do Brasil, de modo a diminuir os gastos ao seu acesso e, entre outras funções, aumentar o contato e o interesse dessa cultura com a população. Tal plano deverá focar, principalmente, em construir uma sociedade permeada pela plena acessibilidade dos seus direitos universais, como o lazer, por exemplo. Somente assim, a sociedade poderá gozar das medidas promulgados em 1948.