ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 18/09/2020
Edgar Morfin dizia que “O cinema é uma máquina que registra a existência e a restitui como tal”. Entretanto, esse mecanismo de entretenimento e divulgação cultural não tem seu aceso democratizado no Brasil. Essa problemática advém da elitização do território brasileiro e da construção da reserva de mercado das empresas de telecomunicações.
Primeiramente, os shopping centers, naturalmente locais visitados pela elite econômica, são detentores da maioria dos cinemas hoje em dia. Nesse cenário, a infeliz elitização seletiva do território brasileiro é uma marca histórica profunda, que surge com a chegada da família real portuguesa em território nacional. Da centralização dos centros produtivos em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, passando pelas sucessivas guerras anti separatistas e chegando até a construção de Brasília; a história nacional é manchada pelo elitismo territorial e concentração monetária. As regiões norte e nordeste ficaram de fora desta logística instituída e, devido a falta desses recursos, a democratização do acesso a cultura, incluindo o cinema, nunca chegou para esses estados.
E também, o acesso ao cinema pode se dar pelo meio virtual, aplicativos como Netflix, Amazon prime video e Youtube trazem o acesso ao cinema nas mãos de qualquer pessoa em qualquer lugar, mesmo aqueles que não dispõem de uma localização geográfica historicamente privilegiada. Porém, atualmente, as reservas de mercado, que consistem em proibir ou dificultar a entrada de novas empresas no cenário econômico nacional; dificultam a melhoria e democratização desse serviço, pois, essa lógica prioriza as grandes empresas em detrimento das novas empresas, impedindo a competição e limitando severamente as opções disponíveis no mercado, o que impede a chegada desses serviços em todas as regiões do país. Lógica essa contrária a dos países de primeiro mundo com acesso democratizado, que chegam a possuir centenas de empresas de telecomunicações atuando em um mesmo estado com o mercado aberto.
Por fim, a democratização do acesso ao cinema, é um dever cívico da nossa nação. E para resolver esse cenário de muito na mão de poucos, é necessário que haja a desregulamentação do mercado de telecomunicações. Os senadores e deputados eleitos devem revisar as leis instituídas e proporem, em plenário e nas redes sociais, projetos que visem alterar a logística de restrição mercadológica atual, sob a justificativa de fomentarem a democratização do acesso ao cinema. As consequências da desregulamentação serão a entrada de capital estrangeiro nas novas redes de telecomunicações que expandiriam o acesso popular e o barateamento do setor por meio da competitividade, essas atitudes a longo prazo garantem o acesso aos sites de distribuição de conteúdo cinemático.