ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 21/09/2020
Diante às mazelas que assolam o século XXI, evidencia-se o destoante acesso ao cinema pelos brasileiros, o que representa ameaça ao direito à cultura e à informação no Brasil. Esse quadro persiste intrinsecamente ligado à realidade do país, seja pela concentração de investimentos em cidades grandes, seja pela elitização do cinema moderno. Nesse sentido, é necessário analisar o cenário, que oriundo de aspectos econômicos e legislativos, necessita de intervenção para atenuá-lo.
Em uma análise inicial, nota-se que o acesso democrático a cultura no Brasil é assegurado pela Constituição federal de 1988. Apesar da legislação, o acesso ao cinema é heterogêneo no país, haja visto que somente 10% das cidades brasileiras contêm esse recurso cultural, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ademais, embora houve a expansão do processo de urbanização, e o consequente aumento do número de cinemas e Shoppings centers, as periferias e cidades do interior não foram abordadas por esses investimentos, de modo que hodiernamente, cerca de 83% dos brasileiros não frequentam o cinema, segundo a Revista Meio e Mensagem. Assim, grandes centros prosseguem sendo referência no acesso ao cinema, enquanto as cidades dos interiores e periferias denotam o acesso desigual a esse meio de cultura.
Outrossim, observa-se que a elitização do cinema no país contribui para o seu desigual acesso. Acerca disso, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman classifica a sociedade contemporânea como líquida, sendo explicada pela valorização do ter em detrimento do ser. Esse cenário é observado na Indústria cultural, onde decorrente da postura capitalista das empresas produtoras e exibidoras, o cinema se torna meio de lucros e rendimentos, perpassando os benefícios sociais advindos dessa arte. Essa prática, no entanto, reforça uma tendência que afasta o cinema das camadas menos abastadas, dificultando a democratização do acesso a essa forma de expressão cultural no Brasil.
Intervir nas necessidades da questão é, portanto, indispensável para promover as transformações sociais requeridas. Nessa perspectiva, é fundamental que o Governo Federal, juntamente à secretaria de cultura, amplie a distribuição do cinema pelas cidades ainda não assistidas nesse quesito. Deve-se oferecer condições financeiras e estruturais, como empréstimos e isenções fiscais, para incentivar a atuação das empresas cinematográficas em regiões onde carece cinemas. Assim, objetivando ampliar o acesso ao cinema no país. Da mesma forma, no que tange a empresas exibidoras e a Agência nacional de cinema, a promoção da expansão de serviços cinematográficos a preços populares. Isso objetivando o alcance maior do número de pessoas ao meio cultural. A somatória dessas ações seria, portanto, viável para a garantia da democratização do cinema, como previsto pela Carta.