ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 23/09/2020
O filósofo Aristóteles defendia a importância do conhecimento para obtenção da plenitude da essência humana. Para ele, sem a cultura e a sabedoria, nada separa a espécie humana do restante dos animais. Nesse contexto, é imperativo ressaltar a necessidade da aproximação entre o homem e os recursos culturais, como o cinema, a fim de construir uma sociedade mais culta. Entretanto, no Brasil, existem diversos obstáculos que impedem a democratização do acesso ao cinema, como a má distribuição geográfica das salas e a inacessibilidade econômica.
Em primeira análise, observa-se a distribuição assimétrica do espaço cinematográfico no país. Segundo a Agência Nacional do Cinema, os cines brasileiros estão concentrados na metrópoles, o que dificulta inserção dos habitantes da periferia, do interior e das pequenas cidades, por exemplo. Desse modo, verifica-se a violação de direitos constitucionais, visto que, consoante à Carta Magna de 1988, é dever do Estado garantir o acesso às manifestações culturais. Logo, a ausência de medidas governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que descentralizam as salas de cinema no território nacional, evidencia a negligência estatal em exercer suas responsabilidades.
Pontua-se, em segunda análise, que o valores dos ingressos de cinema são incompatíveis com a renda da maioria dos brasileiros. Isso ocorre devido à grande concentração de capital, uma vez que, de acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, 10% da população detém 43% do total da renda nacional. Tal situação assemelha-se ao filme espanhol “o poço”, que retrata a dinâmica de uma prisão vertical, onde apenas os indivíduos que estão no topo desfrutam plenamente dos recursos, enquanto os membros da base sobrevivem com quase nada. Como consequência desse cenário de desigualdades, o país enfrenta problemas semelhantes aos da ficção, como a pobreza extrema e a miséria. Assim, pela falta de dinheiro, o povo não consegue adquirir os ingresso, revelando uma conjuntura anti-democrática e cada vez mais distante do ideal defendido por Aristóteles.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para democratizar o cinema e contruir uma sociedade mais culta. Diante disso, com objetivo de ampliar o acesso a tal recurso cultural, o Estado - órgão responsável por garantir os direitos e o bem-estar social - deve criar um programa de aproximação com o cinema. Isso pode ser realizado por meio de incentivos fiscais para contrução de salas de cinema em lugares mais remotos, como zonas rurais e cidades pequenas, as quais possuam ingressos com valores compatíveis com a reda média da população local e gratuitos para pessoas de baixa renda. Assim sendo, a plenitude da essência humana será alcançada pelos brasileiros, mediante a cultura e arte cinematográfica.