ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 24/09/2020
É indiscutível que, diante às mazelas que assolam o século XXI, evidencia-se o destoante acesso ao cinema pelos brasileiros, que representa ameaça ao direito à cultura e à informação no Brasil. Esse quadro persiste intrinsecamente ligado à realidade do país, seja pela concentração de investimentos em cidades grandes, seja pela elitização do cinema moderno. Nesse sentido, é necessário analisar tal quadro que, oriundo de aspectos econômicos e legislativos, necessita de intervenção para atenuá-lo. Em uma análise inicial, nota-se que o acesso democrático à cultura no Brasil é assegurado pela Constituição. Apesar da legislação, o acesso ao cinema é heterogêneo no país, haja visto que somente 10% das cidades brasileiras contêm esse recurso, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ademais, embora houve a expansão do processo de urbanização e o consequente aumento do número de cinemas e Shoppings centers, as periferias e cidades do interior não foram abordadas por esses investimentos. Dessa forma, hodiernamente, cerca de 83% dos brasileiros ainda não frequentam o cinema, segundo a Revista Meio e Mensagem, o que reflete o desigual acesso.
Outrossim, observa-se que a elitização do cinema no país contribui para o seu desigual acesso. Acerca disso, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman classifica a sociedade contemporânea como líquida, sendo explicada pela valorização do ter em detrimento do ser. Esse cenário é observado na Indústria cultural, que decorrente da postura capitalista das empresas produtoras e exibidoras do cinema, torna o cinema um meio de lucros e rendimentos, perpassando os benefícios sociais advindos dessa arte. Essa prática, no entanto, reforça uma tendência segregatória que afasta o cinema das camadas menos abastadas, agravando a dificuldade na democratização do acesso a essa forma de expressão cultural no Brasil.
Intervir nas necessidades da questão é, portanto, indispensável para promover as transformações sociais requeridas. Nessa perspectiva, é fundamental que o Governo Federal juntamente à secretaria de cultura, ampliem a distribuição do cinema pelas cidades ainda não assistidas nesse quesito. Deve-se oferecer condições financeiras e estruturais, como empréstimos e isenções fiscais, para incentivar a atuação das empresas cinematográficas em regiões onde ainda não há cinemas. Assim, com a finalidade de minimizar a não homogeneização do acesso ao cinema no país. Da mesma forma, apresenta-se como relevante solução a parceria entre empresas exibidoras e a Agência nacional de cinema (Ancine) para promoção da expansão de serviços cinematográficos a preços populares. Isso objetivando o alcance maior do número de pessoas ao meio cultural. A somatória dessas ações seria, portanto, viável para a garantia da democratização do cinema, como previsto pela Carta.