ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 25/09/2020

O geógrafo Milton Santos declara que a globalização apresenta-se como uma fábula, uma vez que os benefícios econômicos e culturais estão destinadas a uma parcela ínfima da população, os mais ricos. Ao passo que se percebe tal fabulação, no tecido social, na questão da não democratização do acesso ao cinema no Brasil. Desse modo, observa-se como ferramentas que impulsionam tal cenário, não só um sistema educacional deficitário, como também a falta de efetivação das garantias constitucionais.

A princípio, o professor Paulo Freire dissertou sobre a pedagogia libertadora, uma alusão à educação crítica a serviço da transformação sociocultural. No entanto, menos de 20% da população possui acesso às salas de cinema no Brasil, segundo os dados do site meio mensagem. Nessa lógica, nota-se a prevalência de mazelas sociais- as quais são vencidas por uma rede de ensino eficiente- contribui para coibir a democratização cultural que, nesse contexto, se revela nas poucas salas de cinema no território brasileiro, as quais estão concentradas, sobretudo, nos centros urbanos. Dessa maneira, verifica-se um sistema educacional deficiente, o qual não dialoga com as ideias freireanas e, portanto, não consegue formar um corpo social que usufrua das benesses culturais de forma plena.

Outrossim, a Constituição Federal explicita que é dever do Estado garantir um ambiente harmônico a todos. Entretanto, a realidade expõe uma contrariedade. Esse paradoxo expressa-se, na verdade, à medida que não há políticas públicas eficientes, com o fito de dirimir os emblemas que impedem a democratização do acesso ao cinema no Brasil, seja pela falta de ingressos mais baratos, seja pela concentração espacial das salas de projeção, como já supracitado. Nessa perspectiva, os fatos expostos ecoam o Enigma da Modernidade, do filósofo Henrique de Lima, o qual explicita que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é, por sua vez, primitiva em suas razões éticas. À vista disso, a dissonância entre a narrativa factual e a Carta Magna precisa ser solucionada.

Logo, é fundamental que o Poder Executivo, por meio de debates com o Ministério da Educação, realize uma reforma educacional, a fim de que haja uma transformação cultural. Posto isto, é necessário que tal ação foque, principalmente, na pedagogia de Freire. Ademais, é imprescindível que o Terceiro Setor, aliado à mídia, desenvolva campanhas publicitárias evidenciando a importância do cinema- mediante depoimentos de cineastas -, com intuito de que os dispositivos constitucionais sejam efetivados. Dessa maneira, resolver-se-ão os problemas relacionados à democratização do acesso ao cinema no Brasil e, por fim, atenuar-se-ão as fábulas da globalização, segundo pensou Milton Santos.