ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 26/09/2020
Na obra “Utopia”, do escritor e filósofo inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de desigualdade e problemas. No entanto, fora da ficção, o que se observa na realidade brasileira é o oposto do que o autor prega, uma vez que a distribuição desigual dos cinemas no território do país apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Nessa perspectiva, é necessária a democratização do acesso ao cinema no Brasil para que uma sociedade íntegra seja alcançada.
De início, pode-se destacar que a Constituição Brasileira de 1988 garante igualdade à população do país. Desse modo, entende-se que todos, por direito, devem ter acesso ao cinema. Contudo, o que se vê é que boa parte dos cidadãos não vivem essa realidade, levando em conta que a distribuição dos cinemas ocorre de forma concentrada e as áreas detentoras da maior parte dessa forma de entretenimento são as de renda mais elevada das grandes cidades. Assim, as regiões de menor concentração populacional e as de condição financeira mais precária carecem de acesso ao cinema, o que o torna uma realidade apenas a uma parcela privilegiada da população.
Ademais, vale pontuar que a indisponibilidade de acesso ao cinema por parte das pessoas deriva, também, da baixa atuação dos setores governamentais no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tal recorrência. Segundo o filósofo inglês Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil, haja vista que a falta de investimentos em infraestrutura urbana pode ser apontada como causa do problema, tendo em vista que, dessa forma, as empresas exibidoras não terão interesse em levar seu negócio para as áreas carentes de infraestrutura capaz de trazer-lhe lucro. Assim, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação e Cultura, por meio de parcerias com empresas privadas, criar e efetivar projetos que montem uma estrutura capaz de levar o cinema temporariamente para as menores cidades e locais mais pobres, instalando-o em lugares públicos e de fácil acesso aos cidadãos, o qual voltaria a cada três meses e passaria filmes gratuitamente para a população, com o fito de que ela não precise locomover-se até cidades maiores a fim de ir ao cinema. Desse modo, haveria, em médio e longo prazo, a democratização do acesso ao cinema no Brasil, e a coletividade estaria um passo mais próxima de alcançar a Utopia de Thomas More.