ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 27/09/2020
Desde os filmes em preto e branco, perpassando pelas reportagens do Canal 100, até os efeitos especiais do fenômeno “Vingadores”, denota-se que o cinema está, historicamente, presente na vida dos indivíduos para diverti-los, encantá-los e, até, informá-los. O acesso às salas de exibição, entretanto, ainda é restrito a uma privilegiada parcela da população brasileira. Observa-se, pois, a premência de estratégias de democratização do acesso à “sétima arte”, em nome do desenvolvimento da criticidade, senso de observação e ampliação do repertório sociocultural da população brasileira.
Nessa perspectiva, de acordo com o filósofo John Locke em sua Teoria da Tábula Rasa, o homem é como um papel em branco que vai sendo preenchido por conhecimentos e experiências ao longo da vida. A partir dessa premissa, evidencia-se que, no que se refere aos conhecimentos e emoções advindos das telas de cinema, muitos brasileiros ainda são uma “folha em branco”. Nesse sentido, fatores como o alto preço dos ingressos e o número insuficiente de salas de exibição corroboram para que grande parte da população deixe de viver os momentos de encantamento e fascínio proporcionados pelas “telonas”. Essas pessoas, dessa forma, buscam essa emoção em pequenas telas de aparelhos de televisão que não são capazes de reproduzir com perfeição toda a magia do universo cinematográfico, fazendo com que esses indivíduos continuem uma “folha em branco”.
Nessa perspectiva, analogamente à Terceira Lei de Newton, que afirma que toda ação gera uma reação, o acesso às salas de cinema permite ao público “viajar” para outros lugares, conhecer novas culturas, outras formas de pensar e, assim, desenvolver a criticidade e senso de observação. Além disso, por meio da indústria cinematográfica, muitos brasileiros podem conhecer películas nacionais premiadas, tais quais “O Pagador de Promessas” e “Central do Brasil”, ampliando o seu repertório sociocultural. Desse modo, é indubitável que a democratização do acesso ao cinema surge como um importante instrumento de enaltecimento da cultura nacional e desenvolvimento da sensação de pertencimento, contribuindo para a valorização da identidade do país.
Infere-se, portanto, que a popularização do acesso ao universo cinematográfico é uma importante ferramenta para a formação sociocultural dos brasileiros. Logo, é imperioso que a Secretaria Especial da Cultura, em parceria com as prefeituras municipais, promova sessões abertas e gratuitas de cinema por meio da exibição de filmes nacionais e estrangeiros nos finais de semana, em locais públicos como praças e parques, com o intuito de possibilitar a pessoas de todas as idades e a emoção e encantamento proporcionados pela magia do cinema, em nome de um Brasil mais crítico, criativo e observador.