ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 01/10/2020

No final do século XIX, em Paris, quando houve a primeira apresentação do aparelho cinematográfico ao público, nem mesmo um de seus criadores, Lumière, acreditava na propagação do seu instrumento como algo que proporcionaria um grande e duradouro entretenimento aos seres humanos. Entretanto, essa tecnologia, mesmo após mais de 120 anos do seu lançamento, continua ganhando expectadores em todo o mundo. Portanto, cabe analisar quais são os indivíduos que possuem acesso à essa máquina e como ela se distribui pelo território brasileiro.

Em primeiro lugar, como o Brasil ocupa a oitava posição no ranking das economias mundiais, seria racional dizer que sua população possui uma renda que propicia o alcance à atividades culturais e de lazer, tais como o cinema e o teatro. Conquanto, de acordo com o site Meio e Mensagem, apenas 17% da população brasileira comparece ao cinema. Nesse ínterim, isso ocorre porque grande parte do povo tupiniquim recebe apenas um salário mínimo, o qual, muitas vezes, é utilizado para sustentar famílias inteiras; dessa forma, não há como direcionar o dinheiro usado para gastos primordiais à itens considerados luxuosos, como o ingresso para entrar em uma sala cinematográfica. Destarte, é preciso afirmar que diversos brasileiros são marginalizados culturalmente em virtude de sua baixa renda.

Ademais, a distribuição dos salões de cinema encontra-se de maneira desproporcional e desorganizada no Brasil. Nesse contexto, de acordo com a ANCINE (Agência Nacional de Cinema), devido à urbanização acelerada e à enorme quantidade de pessoas vivendo nas grandes cidades, a maioria das salas estão localizadas em lugares onde há indivíduos com as maiores rendas do país. Desse modo, conclui-se que a população que vive em cidades pequenas ou fora de regiões com altos índices de faturamento se depara com uma maior dificuldade em encontrar um salão cinematográfico, diminuindo a sua acessibilidade à esse universo de entretenimento.

Infere-se, portanto, que existem entraves na garantia a população brasileira da possibilidade de frequentar o cinema. Dessa forma, urge que haja uma parceria entre a Secretaria da Cultura - órgão responsável pelas políticas culturais do país - e o governo federal a fim de que seja criado um crédito de lazer para as famílias de baixa renda e facilite a inclusão dessas pessoas no mundo da cinematografia. Além disso, é importante que as prefeituras dos municípios marginalizados criem um incentivo de isenção de impostos com o objetivo de atrair as franquias dessa área.. Dessa forma, espera-se que a  oportunidade de frequentar o cinema aumente para o povo tupiniquim.