ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 07/10/2020
Segundo a Constituição Federal de 1988, a cultura é direito de todos os cidadãos, assim como é dever do Estado assegurá-la. No entanto, tal suposta garantia não é efetiva, uma vez que o acesso ao cinema, expressiva manifestação cultural no Brasil, é estritamente desigual. Diante desse contexto, denota-se que tanto o acesso não igualitário ao lazer no país, quanto a ausência do Estado para estabelecer a ponte entre os indivíduos e a cultura configuram-se como obstáculos para a democratização do cinema.
Inicialmente, é necessário listar que o acesso desigual ao lazer no país vai de encontro à democratização do cinema. Tal lógica é confirmada, uma vez que, segundo dados do site Meio e Mensagem, apenas 17% da população tinha frequentado salas de filmes nos últimos 30 dias. Essa situação é oriunda, primordialmente, tanto do custo inacessível dos ingressos de espaços cinematográficos, quanto da má distribuição desses polos. Nas palavras do sociólogo Zygmunt Bauman, a cultura tornou-se mercantilizada para um público restrito que pode pagar por ela. Ou seja, os cidadãos de baixa renda dos centros citadinos seguidos por moradores da zona rural não foram levados em consideração pelos órgãos públicos e privados durante a distribuição geográfica das salas de filme e a estipulação do valor requerido para adentrar nesses espaços,banindo-os do gozo do lazer.
Ademais, cabe salientar que a ausência do Estado para estabelecer a ponte entre os indivíduos e a cultura configura-se como um obstáculo para a democratização do cinema. Esse viés é certificado, tendo em vista que, segundo o sociólogo Thomas Marshall, a democracia só é efetiva com a participação ativa dos órgãos públicos na garantia de todos os direitos dos cidadãos. Entretanto, infelizmente, não existe um esforço governamental em tentar fazer os indivíduos não só acessarem as salas de cinema, como também produzirem obras cinematográficas, o que viola suas garantias legais, uma vez que a produção cultural também é direito de todos. Diante desse cenário, é mister que a educação pública garanta o incentivo da criação artística pelos alunos - dentre elas a cinematografia- assim como o Estado deve disponibilizar o gozo da sétima arte por toda a população.
Portanto, para garantia a democratização do acesso ao cinema, os órgãos estatais deverão atuar em prol do gozo cultural dos cidadãos. De primeira, faz-se necessário que o Governo Federal forneça verbas para que a Agência Nacional do Cinema, em parceria com empresas privadas, crie trailers adaptados para a transmissão gratuita de filmes em espaços públicos de zonas rurais e de zonas urbanas onde grande parte da população não pode financiar os ingressos. Por fim, o Ministério da Educação deve promover oficinas de cinema nas escolas do país.