ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 06/10/2020
“É curioso como as cores do mundo real parecem muito mais reais quando vistas no cinema”, Laranja Mecânica. É notório, através de tal trecho do filme de Anthony Burgess, a grande influência que o universo cinematográfico tem no âmbito social moderno, entretanto o acesso à essa arte tende ser injusta e segregada no território brasileiro, assim sendo vista apenas por uma parcela da população brasileira. À vista disso, observa-se que a capitalização cultural e a desvalorização do cinema nacional são graves problemáticas ao assunto. Logo, medidas atenuantes são necessárias para amenizar a situação.
Em primeira análise, há a Indústria Cultural proposta por Adorno e Horkheimer, que baseia-se na produção de obras culturais com o intuito de comercializar, que é bastante notável na contemporaneidade, visto que diversos filmes, séries e programas da área cinematográfica tem maior foco em produzir dinheiro do que trazer cultura e entretenimento para os espectadores, como vê-se com as redes de streaming pagas e os caros ingressos de cinema atuais. Em consequência, ocorre uma desigualdade social nesta área, na qual apenas quem pode pagar determinado preço tem direito a ver e adquirir cultura e conhecimento através daquela produção, e assim concentra-se na elite, e excluindo a classe baixa. Portanto, devido ao foco capital e desigualdade gerada, a superação da adversidade acaba por piorar.
Ademais, percebe-se também a questão do desmerecimento dessa vertente artística, que ocorre principalmente no meio nacional, com um tratamento de menosprezo e depreciação pelos brasileiros. Assim, tal atitude ocorre sobretudo pela falta de incentivo, pois apesar de haver obras excelentes, como o filme Cidade de Deus, que foi indicado ao Oscar e ganhou diversos prêmios nacionais e internacionais, incluindo o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e BAFTA de cinema, o mais conhecido e prestigiado continua sendo as produções estrangeiras, que costumam dominar em cartaz. Por conseguinte, com a falta de incentivo necessário do governo, notável pela falta de divulgação e maior investimento e o desinteresse da mídia social e população brasileira, é notável a agravação do quadro.
Sendo assim, é explícito a indispensabilidade de medidas para mudar tal cenário. Dessa forma, o Estado deve investir em cinemas gratuitos para a os que não tem condições de pagar ou um canal televisivo, trazendo mais filmes brasileiros, assim ajudando na divulgação destes, para uma maior visão cultural, tanto do cinema em geral quanto do nacional, e trazendo dessa forma mais conhecimento e perspectiva no âmbito social brasileiro.