ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 07/10/2020

Assim como sustentado por Sérgio Buarque de Holanda em sua obra literária “Raízes do Brasil”, a segregação social é uma característica usual do povo brasileiro. Tal discrepância visualiza-se claramente nas salas de cinemas do país: dominadas pelas elites econômicas e remotas da presença das classes de menor renda. Delibera-se, por conseguinte, a respeito da necessidade de democratização do acesso ao cinema no território brasileiro.

Em primeiro lugar, é coerente a ciência de que a arte é um dos fundamentais modos de difusão de ideologias e informações. Uma vez que trata-se da comunicação entre o artista e seu público. Neste contexto, convém afirmar, que quando a acessibilidade a tal fonte de pensamentos é afastada de um grupo de pessoas, esse torna-se alienado (termo utilizado por Karl Marx para designar um ou mais indivíduos com insuficiência intelectual). Consequentemente, é necessário que, afim de coletivizar as filosofias e erudições de uma nação e evitar seu alienamento, o acesso às manifestações artísticas deve ser pleno.

Todavia, assim como exposto anteriormente, a população mais carente não recebe os demasiados conhecimentos artísticos que os mais ricos exuberam. Ao considerar o cinema um dos principais meios de tal propagação, uma vez que é extremamente reconhecido pelas artes cênicas, percebe-se o asserto ao observar suas localizações: quase sempre em shoppings centers e raramente em periferias. Para melhor compreensão, torna-se memorável o livro “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus,  o qual relata a ideia de pertencimento às áreas de lazer praticamente inexistente diante do ponto de vista de uma família em condições miseráveis. Portanto, é perceptível que o acesso ao lazer, assegurado como direito ao povo na Constituição do Brasil, não é empregado completamente.

Em síntese, exige-se da Secretaria da Cultura do Brasil, a qual é responsável por propagar a difusão da cidadania através da promoção cultural, a realização da democratização do acesso ao cinema. A ação deve ser: instalação de salas de lazer cinematográfico com estrutura qualificada nas periferias com baixo custo de entrada, ou gratuitas. Planeja-se que tais instaurações ocorram através de investimentos governamentais para verbas dessas construções e suas manutenções. O desígnio da intervenção em questão é desconstruir a segregação cultural, interpretada do livro de Sérgio Buarque e suprimir a insuficiência intelectual fundamentada na visão de Karl Marx.