ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 14/10/2020

Embora a Revolução Técnico-Científica-Informacional tenha proporcionado a inserção de tecnologias nos meios de comunicação, como a criação do cinema, que permite o contato audiovisual com os mais diversos públicos dentro de uma sociedade, nota-se que seu acesso acontece de maneira desigual e elitista. Isso ocorre não só devido à insuficiência governamental, mas também à dominação simbólica que atua sobre os indivíduos dentro do corpo social. Esse cenário constitui um problema a ser resolvido unicamente pela intervenção estatal.

Primeiramente, é necessário entender que a falta de iniciativa governamental impossibilita o processo de democratização do acesso ao cinema no Brasil, já que, para Hegel, “o Estado é o pai da população e tem o dever de cuidar de seus filhos”. Sob tal pensamento, infere-se que isso não é evidenciado na prática, uma vez que não há a criação de políticas para incitar a integração de todo o tecido social no meio cinematográfico. Por causa disso, é comum que as pessoas não valorizem o meio o qual estão inseridos, acarretando, por exemplo, na depredação do patrimônio histórico-cultural e no sentimento de revolta.

Por conseguinte, também é válido ressaltar que o indivíduo, na busca pelos seus objetivos, é influenciado pelo seu “habitus”, isto é, pela situação econômica, política, cultural e social em que se encontram. Isso é retratado no conceito de dominação simbólica, de Pierre Bourdieu, em que as instituições que regem o poder favorecem a malha social mais viável socioeconomicamente, o que contribui, dessa forma, para que as pessoas pertencentes a uma esfera social de baixa renda tenham dificuldade de participar de atividades culturais, como assistir a um filme em uma sala de cinema.

Os problemas para a democratização do acesso ao cinema, portanto, inviabilizam a construção de uma realidade brasileira menos distópica. Assim, para amenizar essa questão, cabe ao Estado, responsável pela manutenção da ordem social, criar políticas públicas, por meio de leis e investimentos - como a criação de cinemas e de ingressos com preços acessíveis -, com  o fim de promover a integração de todas as classes econômicas no meio de lazer. Ademais, o Estado deve promover atividades culturais, com o fito de promover a valorização do meio o qual a sociedade está inserida. Com efeito, será possível tornar o acesso ao cinema mais democrático e integrador.