ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 20/10/2020

Na Grécia Antiga, eram realizadas peças teatrais, com o intuito de representar aspectos do convívio social da época, por meio da interpretação de atores. Hodiernamente, o cinema cumpre a mesma função por intermédio de filmes, os quais abordam, de certo modo, a realidade brasileira. No entanto, o acesso ao cinema não ocorre, ainda, de forma igualitária no Brasil, seja por fatores socioeconômicos, seja pela falta de infraestrutura nas cidades afastadas dos grandes centros urbanos. Nessa conjuntura, configura-se uma adversidade social, requerendo ações governamentais com o fito de atenuar essa condição.

Sob esse viés, vale ressaltar que o sociólogo Émile Durkheim faz analogia entre o corpo biológico e a sociedade, em que ambos necessitam da integração dos seus componentes para um bom funcionamento. Porém, quando há aumento do raio de ação de um integrante, desenvolve-se a “anomia”. Tomando como base o pensamento mencionado, a desigualdade socioeconômica, característica da sociedade brasileira, classifica-se como o desregulamento do bom funcionamento, em que a distribuição de oportunidades não ocorre de maneira igualitária. Nessa perspectiva, a oportunidade de frequência ao cinema é reflexo dessa realidade, uma vez que por meio dos altos custos de ingressos, há, automaticamente, restrição dos expectadores, tendo acesso às exibições somente quem apresenta considerável poder aquisitivo. Nessa conjuntura, esse cenário é tipo como a “anomia” do campo social, pois não há democratização na oportunidade de acesso ao cinema.

Outrossim, a leniência e a inexpressividade do Estado no que diz respeito à promoção igualitária ao ambiente cinematográfico é outro agravante da problemática em questão, em que não se apresenta a isonomia dos indivíduos, convencionada pelas leis. Dessa maneira, cabe citar que, de acordo com o filósofo grego Aristóteles, o Estado é responsável por propiciar o bem-estar e a felicidade dos cidadãos. Contudo, o que se nota, contemporaneamente, é um cenário adverso ao abordado pelo filósofo, visto que, principalmente, nas cidades interioranas o acesso ao cinema é escasso, não apresentando nenhum investimento governamental. Nessa perspectiva, é evidente a necessidade de maior engajamento do Governo.

Portanto, são vários aspectos que dificultam a democratização da frequência aos cinemas no Brasil. Por isso, cabe ao Estado, por meio das prefeituras, realizar projetos por intermédio do desenvolvimento de salas de cinema, principalmente, nas cidades do interior do país, com o intuito de tornar o ambiente cinematográfico comum, também, à população dessa cidade, com exibições periódicas e acessíveis financeiramente, com promoções à indivíduos de baixa renda, para melhor acesso ao cinema.