ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 21/10/2020
Com o êxodo rural, em meados de 1980, houve uma grande demanda de pessoas que migraram para as cidades. Contudo, o ritmo de atividades de lazer, por exemplo, o cinema, não acompanhou essa urbanização de forma efetiva. Nesse contexto, parte da população brasileira ainda não tem acesso ao exemplificado. Desse modo, há entraves na democratização para o uso do cinema, visto que faltam ações governamentais para instituí-lo em áreas carentes e uma indústria cinematográfica, que aborde a realidade cultural do país.
A princípio, verifica-se que o baixo investimento em construção de salas de cinema, em locais carentes, afasta os indivíduos da cultura. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem estar social de todos. Entretanto, as políticas públicas investem pouco na área cinematográfica, o que desfavorece as pessoas de baixa renda ou de cidades pequenas. Assim, há a construção de cinemas apenas em cidades grandes, preferencialmente, em bairros valorizados, o que gera uma segregação socioeconômica e exclusão dos pobres ás salas de cinema.
Ademais, a elitização do cinema e dos filmes colabora com essa problemática. De acordo com Stuart Hall, na modernidade encontra-se uma pluralidade identitária. Sob esse aspecto, o Brasil possui extensa raiz cultural, porém os catálogos de filmes não atendem os gostos em totalidade, uma vez que mostram produtos estrangeiros, como americanos e europeus, sem valorizar o diverso público existente e suas particularidades. Outrossim, a renda brasileira não condiz com os valores cobrados no ingresso pela indústria de cinema.
Mostra-se evidente, portanto, a necessidade de desburocratizar o ingresso ao cinema. Para tanto, o Poder Legislativo deve criar leis que projetem a construção de cinemas em cidades menores e afastadas dos grandes centros, diminuindo em seguida o valor cobrado pelo ingresso. Também deve criar um sistema de promoções, a fim de incentivar a camada de baixa renda a frequentar as salas cinematográficas. Concomitantemente, a mídia, em parceria com a indústria de cinema, deve promover propagandas que mostrem uma variedade de filmes, que atenda os gostos das pessoas, para incluir toda a sociedade e assim democratizar esse lazer. Feito isso, ocorrerá o aumento de pessoas pobres frequentando o cinema e a pluralidade descrita por Stuart Hall será evidenciada nesse cenário.