ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 22/10/2020

Ocorrida no século XIX, a Missão Artística Francesa tinha como objetivo a inserção da cultura e das artes na sociedade brasileira, viabilizando o acesso à elite. De maneira análoga, sabe-se que, as dificuldades relacionadas à democratização do acesso ao cinema ratificam a não alteração do cenário na contemporaneidade, sobretudo nas camadas menos favorecidas economicamente. Isso se deve não somente pela limitação por fatores geográficos, mas também pela elitização do uso de locais para exibição de filmes.

Em primeira análise, segundo dados da Agência Nacional do Cinema (ANCINE), o Brasil possui apenas cerca de 2200 salas de exibição, sendo majoritariamente encontradas em polos urbanos. Nesse sentido, compreende-se que, no quesito numérico, tal fato configure um cenário caótico e insuficiente, tendo em vista a localização rural ou periférica de boa parte da população, evidenciando, portanto, situações geograficamente limitantes.

Segundamente, é válido ressaltar a elitização do acesso aos locais como agravante do problema. De acordo com o filósofo Michel Foucault, caracteriza-se como imperativo categórico a máxima que deve ser aceita e desfrutada por todos os indivíduos em uma sociedade. Diante de tal afirmação, constitui-se que, a objeção do direito de ir ao cinema não somente ratifica a exclusão de pessoas desprovidas de capital, transformando o cinema em um espaço destinado à classe média e alta, mas também contraria o preceito de participação universal citado por Foucault.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias . Deve-se então, por meio de um projeto de lei elaborado pelo Estado, garantir que parte das verbas destinadas à ANCINE sejam dedicadas a construção de cinemas em áreas rurais e periféricas, a fim de sanar problemas geográficos e deter o processo de elitização. Espera-se que, com tal medida, um Brasil onde todos tenham acesso à cultura seja alcançado.