ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 24/10/2020

A obra “Lisbela e o Prisioneiro”, do dramaturgo Osman Lins, retrata a história de Lisbela, uma jovem do interior pernambucano que nutre um imenso amor pelo cinema, sentimento este que afeta até mesmo suas decisões amorosas. Pelo fato da narrativa se passar longe das grandes capitais brasileiras, trata-se de um espelho para a realidade de uma juventude extremamente influenciada por uma arte que sofre com sérios problemas de democratização. Esta problemática se deve ao fato de não haver valorização governamental da cultura nacional e pela elitização dos espaços de cinema no país.

Primeiramente, é necessário dizer que apesar das inúmeras formas de manifestações artísticas presentes no Brasil, não existe preocupação estatal pela manutenção e resgate destas obras. Isto é um resultado da falta de políticas públicas de investimentos financeiros que beneficiem a classe artística. Quando se trata de cinema, um grande exemplo disto é a situação da Cinemateca Brasileira, que apesar de ser o maior acervo cinematográfico da América Latina, vive um duro processo de sucateamento pelo estado. Portanto, para solucionar os embates em torno desta questão, é preciso que hajam compromissos firmados pelo governo brasileiro para exaltação da arte nacional.

Ademais, é visível que locais para reprodução da sétima arte não são bem distribuídos por todo o território. Grande parte das maiores redes de cinema do país, como o Kinoplex e o Cinemax, estão concentradas nas metrópoles, que por sua vez contam com shoppings de luxo para a hospedagem destes espaços. Esta preferência pelas áreas urbanas para fixar as companhias de cinema, torna difícil o acesso das obras pela população oriunda das mais remotas localizações do Brasil. Por fim, é necessário que empresários do ramo se empenhem em financiar a estadia de suas empresas em uma variedade maior de localidades, para que assim o acesso possa se tornar mais viável e democratizado.

Em suma, é de extrema importância que a iniciativa privada e o governo federal, através de órgãos como o Ministério da Cultura, se aliem em prol  da causa de um acesso isonômico as artes cinematográficas. É necessário que exista um financiamento para a construção de mais espaços de cinema em território brasileiro, assim como para a produção de mais obras por parte da indústria artística nacional, de modo em que empresas, estado e população possam se sentir diretamente beneficiados. Desta forma, será possível transformar uma arte elitizada em democrática, acessível e popular, para que assim seja possível construir um país justo e em par com a cultura.