ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 27/10/2020

Na Grécia Antiga, a política do “pão e circo” demonstrava a importância da presença do entretenimento popular por parte de um Estado que preocupava-se em atender além das necessidades básicas dos cidadãos. Hodiernamente, no entanto, uma das principais formas de lazer dos brasileiros está voltada às produções cinematográficas, embora o cinema não seja um espaço democratizado. Nesse sentido, urge avaliar como o Governo corrobora com o empecilho e as maneiras para alterar esse cenário.

Em primeiro plano, é imprescindível destacar a ausência de políticas públicas a fim de amenizar as disparidades de acesso ao lazer e à cultura. Diante disso, o processo de urbanização favoreceu para a centralização de empresas e ambientes coletivos que ofertam distrações direcionadas ao bem-estar físico e emocional nas áreas onde encontra-se a classe mais abastarda da sociedade. Entretanto, uma vez que o contato com o entretenimento, tal qual o cinema, constitui uma importante fonte de aprendizagem e de formação do senso crítico, torna-se essencial buscar alternativas para equiparar as oportunidades e diminuir a exclusão social.

Cabe também mencionar, em segundo plano, o comportamento popular diante do problema. Sob esse viés, de acordo com Durkheim, a sociedade é um organismo vivo e, por isso, precisa da atuação de todos os setores, estatizados ou não, para funcionar com eficácia. Logo, as instituições privadas devem auxiliar na democratização do cinema por meio de vieses que levem em conta os recursos econômicos da classe baixa. Outrossim, para atender a todos é interessante a ocorrência de facilidades como impulsionadas pelas redes bancárias, cujas oferecem cartões de crédito beneficiados por promoções e descontos especiais em programas cinematográficos.

Portanto, a democratização do acesso ao cinema no país é dificultada pela ausência de ações governamentais e pode ser efetivada por outros meios. Sendo assim, o Governo, representado pelo Ministério da Cidadania, deve avaliar a anexação de polos cinematográficos nas áreas periféricas com o intuito de promover acessibilidade ao mesmo passo em que diminui a criminalidade. Além disso, convém às empresas privadas, em parceria aos Estados, reconhecer a realidade da maior parte da população e, por conseguinte, reduzir a taxa dos ingressos para tornar a programação mais viável. Com efeito, espera-se vivenciar uma sociedade mais igualitária e menos excludente.