ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 31/10/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Fora da ficção, entretanto, na sociedade brasileira o cenário é diferente, visto que a democratização do acesso ao cinema no Brasil ainda não foi amplamente concretizada. Desse modo, em virtude não só da lacuna educacional, mas também da escassa abordagem da conjuntura, emerge um problema complexo que precisa ser resolvido.

Em primeira análise, é preciso salientar que a negligência do ambiente escolar é perpetuadora da problemática. Segundo Imannuel Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob esse viés, no que se refere à democratização do cinema, verifica-se uma veemente influência dessa causa, uma vez que, muitas vezes, a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter o problema, já que não tem trazido esses conteúdos para a sala de aula, em matérias já criadas, como sociologia e artes. Dessa forma, enquanto as instituições de ensino — peças fundamentais na formação dos indivíduos — não elaborarem um mecanismo que coíba tal empecilho, a coletividade continuará sofrendo com esses entraves.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é o silenciamento. De acordo com Foucault, na sociedade pós-moderna, vários temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, nota-se uma lacuna em torno dos debates sobre a não democratização do ambiente cinematográfico em território nacional, o que contribui para a falta de conhecimento da população sobre tal questão, o que torna a resolução desse panorama mais dificultada. Como prova disso, conforme um levantamento do portal Meio e Mensagem, em 2019, 83% da população não frequentaram as salas de cinema nacionais. Logo, indubitavelmente, é imprescindível que medidas ajam na dissolução dessa mazela.

Faz-se necessária, portanto, uma intervenção. Destarte, é preciso que o Ministério de Educação e Cultura crie semanas de ensino, utilizando filmes nas escolas públicas, por meio de verbas governamentais, com o intuito de garantir que todos os cidadãos tenham pleno acesso a esse meio cultural, e, desse jeito, o cinema seja plenamente democratizado. Essas semanas devem acontecer uma vez por mês, sendo encaixadas no contraturno escolar, e devem também trazer, por exemplo, longas-metragens educativos e séries escolhidas pelos próprios alunos. Assim, em médio a longo prazo, a sociedade brasileira alcançará a “Utopia” de More.