ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 05/11/2020

Em 1516, o filósofo Thomas More desenvolveu a obra “Utopia”, segundo a qual a sociedade é perfeita, sendo caracterizada pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o que manifesta-se na sociedade contemporânea diverge da temática do livro, uma vez que os desafios da democratização do acesso ao cinema no Brasil, vai de encontro à efetivação dos planos de More. Com efeito, há de se combater não só as mazelas sociais, bem como a ineficácia governamental.

Em primeiro plano, as diversas crises sociais evidenciam a falta de acesso ao cinema. A esse respeito, segundo o sociólogo Émile Durkheim, o “Fato Social” consiste na maneira coletiva de pensar e de agir, dotada de coercitividade, exterioridade e generalidade. Ocorre que os diversos problemas sociais evidenciam a generalidade, descrita por Durkheim, uma vez que o a falta de acesso ao mundo cinematográfico afeta substancial parcela da população e acarreta danos irreparáveis ao corpo social. Dessa forma, não é razoável que os impasses sociais permaneçam em um país que almeja torna-se nação desenvolvida.

De outra parte, o descaso governamental fragiliza a democratização ao cinema. Nesse viés, o sociólogo Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito de “Instituição zumbi”, segundo o qual algumas entidades perderam sua função social, mas sustentaram - a todo custo - a sua forma. De maneira análoga, é possível perceber que, infelizmente, o estado brasileiro assemelha-se ao exposto por Bauman quando deixa de investir em ações que possam mitigar os desafios de acesso ao cinema. Assim, enquanto a indiferença do Estado se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com um dos mais graves problemas para a nação: a falta da democracia.

Urge, portanto, que há de se combater os obstáculos que desestimulam o acesso ao mundo cinematográfico. Os indivíduos – no seu senso crítico – devem, com veemência, repudiar as mazelas existentes na sociedade, por meio de protestos sociais, a fim de desestimular a inércia estatal. Ao Ministério da Educação, por sua vez, deve direcionar capital por meio de programas sociais – como renda cidadã -, com intuito de conceder às pessoas de baixa renda a oportunidade de acesso ao cinema. Essa iniciativa teria a finalidade de desconstruir as mazelas sociais, de modo que todos possam compartilhar um grande aliado no entretenimento: o cinema.