ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/11/2020

A vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil, em 1808, promoveu um enriquecimento cultural com a construção de museus, de teatros e de bibliotecas. Contudo, essas obras, conforme os séculos, não foram destinadas e usufruídas por grande parcela populacional, já que não correspondia à classe nobre. Não distante dessa conjuntura, os cinemas também são ambientes inacessíveis para a sociedade marginalizada no mundo contemporâneo. Nesse sentido, a democratização do acesso a salas cinematográficas é impedida, devido ao projeto urbanístico do país criado não só de forma acelerada, mas também de modo extremamente concentrado e à grande valorização de uma cultura voltada para o consumismo.

O cinema, em primeira análise, não é algo acessível em nível nacional de forma homogênea. Durante o governo de Vargas, o processo de industrialização proporcionou, concomitantemente, uma reforma no meio urbano, de modo que gerou uma maior segregação espacial em relação aos mais pobres. Sob essa perspectiva, os ambientes culturais, de maneira atemporal, encontram-se concentrados nos grandes centros urbanizados, uma vez que o grupamento o qual possui condições financeiras está localizado em tal região. Dessa forma, há o difícil acesso aos moradores periféricos a esses bens causado não apenas pelo alto custo, como também pelo transporte. Além disso, a recente tendência a salas cinematográficas estarem comportadas dentro de “shopping centers”, contribui com a não acessibilidade da classe oprimida, visto que são espaços demasiadamente camarotizados.                  Ademais, as produções cinematográficas são reflexo das relações capitalistas as quais objetivam o consumo e o lucro. Segundo os filósofos Adorno e Horkheimer, em sua obra “Indústria Cultural”, a cultura é vista como meio de produção e de lucratividade. Sob essa ótica, a maior relevância popular por filmes norte-americanos em detrimento dos nacionais evidencia a mercantilização de um padrão de vida disseminado no país, o qual exclui a camada periférica, pois tais ideais são reproduzidos sob modo de consumo.

Infere-se, portanto, a necessidade de democratizar o acesso ao cinema no Brasil. Cabe ao Ministério da Cidadania, por intermédio do Poder Executivo, oferecer uma acessibilidade igualitária a sessões de filmes, por meio de programas governamentais que promovam investimentos no quesito transporte e financiamento de ingressos gratuitos para a população periférica, além de construir, em áreas estratégicas, mais cinemas em todos os municípios do país. Essa ação visa a reduzir as desigualdades sociais no que tange ao acesso a produções culturais. Assim, a população marginalizada do século XXI poderá usufruir a cultura e seus bens, os quais a sociedade do Período Colonial não pôde beneficiar.