ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 17/11/2020
A Constituição brasileira de 1988 assegura a todos os indivíduos do amplo acesso aos bens culturais do país. No entanto, na prática, tal garantia é deturpada, visto que o contato com a cultura — por meio dos cinemas — não se encontra efetivado na sociedade nacional. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão do deficitário incentivo à valorização cultural nas escolas, mas também devido à excessiva mercantilização da cultura. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, com o intuito de mitigar os entraves para a consolidação dos direitos constitucionais.
Em primeira análise, vale destacar que durante o Renascimento Cultural — movimento artístico e intelectual ocorrido na transição da Idade Média para a Idade Moderna — a cultura era valorizada e usada como uma maneira de transmitir conhecimentos. Hodiernamente, entretanto, a situação é pouco observada na sociedade brasileira, uma vez que o acesso ao cinema, como forma de expandir a construção dos saberes, encontra-se pouco ampliado. Esse panorama lamentável acontece porque a maioria das escolas, instituições essenciais para a formação de indivíduos engajados culturalmente, interessa-se, geralmente, apenas pela transmissão de conteúdos técnicos, negligenciando estimular as habilidades socioculturais. Evidencia-se, portanto, que a restrita ida aos cinemas relaciona-se com o deficitário incentivo contato com essa modalidade de entretenimento por parte dos colégios
Ademais, vale ressaltar que, de acordo com os sociólogos da Escola de Frankfurt, a cultura tornou-se um instrumento voltado para a obtenção de lucros. Nesse viés, a excessiva mercantilização dos bens culturais, como os cinemas, segrega áreas periféricas, nas quais grande parte da população é desprovida de amplos recursos financeiros para acessar tais meios de lazer. Desse modo, constata-se que a concentração dos cinemas em áreas privilegiadas economicamente, atestada pela óptica frankfurtiana, fere a constituição e impede a democratização do acesso a esse meio de entretenimento.
Verifica-se, então, a necessidade de ampliar o acesso ao cinema no Brasil. Para isso, faz-se imprescindível que o Ministério da Educação e da Cultura, por intermédio de minicursos, instrua os educadores — especialmente os docentes em sociologia, haja vista o conhecimento cultural inerente a tal curso — a elucidar em suas aulas a importância da valorização dos bens culturais para a ampliação do conhecimento, a fim de estimular os alunos a irem aos cinemas. Paralelamente, precisa-se que a sociedade civil organizada, mediante a criação de projetos de lei, os quais tornam obrigatória a descentralização dos cinemas, pressione o Poder Judiciário a aprová-los, com o objetivo de democratizar o acesso a esse meio de entretenimento. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta