ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 22/11/2020
Segundo Friedrich Nietzsche, filósofo alemão do século XX, a arte existe para que a realidade não nos destrua. Semelhantemente, a Constituição Federal de 1988, documento mor do Brasil, garante a todos os cidadãos o direito pleno ao lazer e bem-estar. A presente situação no país, porém, é diferente no que se trata à democratização do acesso ao cinema no território nacional, que segue o modelo de polos, consequentemente excluindo as minorias que são segregadas desse tipo de diversão. Os motivos principais para que isso ocorra é a concentração de salas de cinema em áreas de maior valor imobiliário, bem como os preços abusivos para a entrada nesses espaços.
Em primeiro lugar, é necessário ressaltar a obra “A Dialética do Esclarecimento”, de Adorno e Horkheimer, filósofos da Escola de Frankfurt, em que o conceito de “indústria cultural” é exposto como sendo a manipulação em massa da sociedade favorecendo o ganho monetário das grandes empresas e padronizando gostos e interesses pessoais. Uma das consequências dessa homogeneização é a reunião de espaços cinematográficos em regiões mais favorecidas socialmente, como shoppings centers e grandes centros metropolitanos. A ausência do cinema em áreas periféricas ou de baixo capital diminui a acessibilidade de um setor específico da população, os dos mais pobres, criando desigualdade.
Ademais, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), metade dos brasileiros vivem com menos de quinze reais por dia. Diante dessa ótica, é racional pensar que, somado à concentração geográfica do cinema nas maiores cidades do país, — de acordo com o próprio IBGE, apenas 10% das cidades possuem cinema — a renda dos cidadãos também é um aspecto decisivo a ser considerado para a democratização da cultura no Brasil. O preço desse tipo de lazer também é decidido segregando a população mais pobre do país, muitas vezes levando a realidade dessas pessoas ainda mais longe da ideal.
Portanto, são necessárias medidas de intervenção para a problemática retratada. Urge que o Ministério da Cultura por meio de uma intensa pesquisa geográfica e social que leve em conta renda e locomoção, crie um projeto de desenvolvimento de salas de cinema em locais mais afastados, com objetivo de levar a promoção da arte para os cidadãos menos privilegiados. Além disso, é mister que o Ministério da Economia implemente um “cartão-cultura”, uma espécie de passe livre para eventos gerais de lazer, criado mediante apresentação de documentos que comprovem baixa renda, com objetivo de diminuir a segregação da arte. Dessa forma, é possível criar um caminho para a democratização da cultura no Brasil.