ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 22/11/2020

O filme: “A invenção de Hugo Cabret” apresenta o episódio de um órfão francês que se vê economicamente e socialmente excluído da sociedade a qual foi inserido quando encontra o cinema como um refúgio cultural acessível. Entretanto, fora da ficção, em um contexto nacional, a cinematografia não apresenta uma acessibilidade tão tangível às perspectivas das classes menos abastadas do corpo social, o que evidencia a necessidade da democratização do acesso ao cinema no Brasil. Por isso, graças ao alcance hegemônico contemplado dentre os grupos do país, a estrutura social é perturbada, fato devido à seletividade econômica do setor e ao silenciamento do tópico.

Nessa perspectiva, primeiramente, a exclusividade em relação ao poder financeiro a qual o contexto cinematográfico apresenta é um agravante da problemática. Nesse sentido, de acordo com a apuração da ANCINE, no século XXI, em território brasileiro existem cerca de 2200 salas de cinema, porém a majoritária parcela desses estabelecimentos está concentrada em áreas com renda mais alta, excluindo , assim, regiões como, por exemplo, Norte e Nordeste. Sob essa óptica, a partir do momento em que o ramo da cinematografia privilegia a fatia mais abastada da população, tal setor passa a ser seletivo e seu alcance se torna hegemônico. Portanto, a alta seletividade econômica contemplada corrobora para que os telões se tornem pouco tangíveis a todos os grupos da população.

Ademais, é significante observar como a falta de debates ao redor do tópico é danosa à estrutura da sociedade. Nesse viés, segundo o conceito da ação comunicativa, redigido pelo filósofo alemão Jurgen Habermas, a linguagem é uma ferramenta fundamental na transformação do corpo social. Sob tal dinâmica, no momento em que há um notório silenciamento ao redor da problemática do acesso antidemocrático ao cinema no Brasil, a tendência é que o obstáculo alcance proporções ainda maiores, o que deixa lacunas e incoerências na estrutura da coletividade. Em síntese, graças à ínfima visibilidade que o tópico da democratização da cinematografia recebe no país, o problema é agravado.

Por todos esses aspectos, a questão da democratização do cinema no Brasil é tida como um desafio e carece de soluções. Sendo assim, o Estado, junto às unidades responsáveis pela cinematografia, como a ANCINE, deve, por meio da construção de salas de exibição em regiões menos privilegiadas, como no Norte e Nordeste, assegurar a inclusão integral da parcela da população que não possui alcance total ao bem afim de erradicar a hegemonia contemplada no contexto cinematográfico e, por conseguinte, fazer com que a integração cultural se torne um dos pilares da sociedade brasileira. Em suma, no país, para que a ordem e o progresso sejam atingidos, o cinema deve se tornar um privilégio comum e um refúgio cultural acessível, como no episódio de Hugo Cabret.