ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 30/11/2020
Segundo Karl Marx, “As inquietudes são a locomotiva da nação”, o sociólogo do século XIX quis dizer que os problemas de um país ou uma sociedade é o que promove a mudança e, por consequência, o desenvolvimento. Nesse sentido, o Brasil se encontra com diversas inquietudes, dentre eles, destaca-se a má distribuição do cinema por todo território nacional, bem como a exclusão cultural dos indivíduos menos favorecidos financeiramente. Acerca disso, os fatores mencionados contribuem para a restrição do acesso ao cinema.
Em primeira análise, a péssima distribuição de salas de cinema em âmbito nacional é um problema a ser resolvido. Nesse viés, durante a história de desenvolvimento do Brasil, as regiões Sul e Sudeste foram extremamente privilegiadas em relação as demais, haja vista que no decorrer de muitos governos, tendo como destaque o Governo Militar, os investimentos foram direcionados com maior rigor nessas localidades, deixando a parte do progresso as demais regiões do país. Prova disso, é a abundância de salas de cinema nas grandes cidades do eixo Sul-Sudeste, o qual concentra 58,9% dos centros de exibição cinematográfica, de acordo com o jornal britânico BBC, em contraste com o Norte e Nordeste, nessa perspectiva, evidencia-se a dificuldade do acesso à cultura de alguns brasileiros e, por conseguinte, possuem sua formação como cidadão afetada.
Outrossim, o alto preço dos ingressos é um obstáculo a ser solucionado, pois a realidade de algumas parcelas da sociedade não se adéqua ao valor cobrado. Nesse contexto, a elitização dos meios de cultura é uma herança do Brasil Império, uma vez que com a chegada da Coroa Portuguesa no Rio de Janeiro, muitos teatros foram criados para o proveito da própria aristocracia brasileira, assim, excluindo boa parte dos indivíduos na época. Infelizmente, essa conjuntura ainda se perpetua na contemporaneidade, já que, normalmente, apenas os cidadãos com melhores condições financeiras conseguem ir frequentemente ao cinema. Portanto, o contrato social de Thomas Hobbes é quebrado diariamente , tendo em vista que o Estado não conseguiu garantir a ampliação do acesso à cultura.
Dessarte, é imprescindível que se tome providências para resolver a problemática. Assim, para garantir a democratização do acesso ao cinema, urge que o Governo Federal, por meio de leis orçamentárias, realize a construção de salas em ambientes menos favorecidos, com o fito de proporcionar a população brasileira a possibilidade de ver os filmes recém lançados, os quais contribuem para a formação cultural dos indivíduos. Ademais, é mister que a Secretaria Especial da Cultura, por meio da parceria com a Agência Nacional do Cinema (ANCINE), elabore um projeto social que diminua o preço dos ingressos, a fim de abrir a possibilidade que pessoas mais “carentes” tenham acesso ao mundo cinematográfico.