ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 03/12/2020
Segundo o cineasta Martin Scorsese, vencedor do Oscar de melhor diretor, as artes são uma necessidade, que possuem grande valor para a história da humanidade, e não podem ser consideradas um luxo. Com isso, Scorsese demonstrou sua indignação pela possível suspensão de verba da cinemateca brasileira, o maior acervo audiovisual da América Latina. Essa ação evidencia mais um desafio para que o cinema seja democratizado no Brasil, um país em que a sétima arte ainda é inacessível para para maior parte da população.
Pode-se observar que os grandes centros urbanos, onde se concentram diversos shoppings centers, encontram-se uma concentração muito grande de salas de cinema, com o preço dos ingressos bem elevados. Enquanto isso, nas periferias, no interior e em regiões como Norte e Nordeste, quase que não é possível encontrar locais para assistir a filmes. Dessa forma, é possível concluir que a distribuição dos cinemas no Brasil é desigual, privilegiando locais em que os habitantes possuem maior poder aquisitivo.
Além disso, essa desigualdade fere a Constituição Federal de 1988, pois nela o direito ao acesso à cultura é garantido pelo Estado. Ademais, ao suspender a verba da cinemateca brasileira, o cinema torna-se cada vez mais desvalorizado, dificultando sua democratização. A cinemateca oferece preços acessíveis com um admirável acervo de filmes, e facilita o acesso de pessoas que não têm condições de pagar ingressos de cinemas de shoppings.
Portanto, para que o cinema seja democratizado no Brasil, é necessário que o governo, juntamente com a Secretaria Especial da Cultura, por meio da criação de projetos, construa salas de cinema nas zonas periféricas, e cidades pequenas, em todas as regiões do Brasil. Assim, a população terá acesso ao cinema, pois o preço dos ingressos será baixo e não será necessário percorrer longas distâncias para assistir a filmes. Dessa maneira, as artes deixarão de ser um luxo para muitos habitantes, e se tornarão uma necessidade, como foi dito por Martin Scorsese.