ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 04/12/2020
Aristóteles, grande pensador da Antiguidade, defendia a importância do conhecimento para a obtenção da plenitude da essência humana. Para o filósofo, sem a cultura e a sabedoria, nada separa a espécie humana do restante dos animais. Nesse contexto, destaca-se a importância do cinema para a construção de uma sociedade mais culta. No entanto, há ainda diversos obstáculos que impedem a democratização do acesso ao cinema no Brasil. Essa realidade se deve, essencialmente, uma elitização dos espaços públicos que, por consequência, corrobora para a insuficiência intelectual presente em sociedade.
Em primeiro plano, pode-se destacar a restrição dos cinemas a algumas classes sociais como uma das causas do problema. Nesse ínterim, segundo a Constituição Federal de 1988, todos os cidadãos têm acesso igualitário aos meus de propagação do conhecimento, da cultura e do lazer. Porém, visto que os cinemas e a materialização pública dsses conceitos, concentram-se predominantemente reservado à elite econômica, como os “shoppings centers”, é inquestionável a existência de uma segregação das camadas mais pobres em relação ao acesso a esse recurso. Desse modo, essa segregação é identificada na elaboração da tese da “subcidadania”, escrita pelo sociólogo José Souza, que denuncia a situação de vulnerabilidade dos mais pobres, cujos direitos são negligenciados tanto pela ação do Estado quanto pela indiferença no contexto social.
Por conseguinte, essa elitização dos espaços públicos, que promove a exclusão das camadas periféricas, próprio um bloqueio intelectual imposto a essa população. A esse respeito, de acordo com TH Marshall, o Estado é responsável pelo desenvolvimento social e intelectual dos necessários. Entretanto, assuntos relevantes ao saber coletivo, que, por vezes não são ensinados nas instituições de ensino, mas são destacados em filmes transformados no cinema, não alcançam as mentes das minorias sociais, por essa razão são prejudicados intelectualmente. Logo, faz-se necessário mudanças governamentais para assegurar o que é proposto pelo sociólogo Marshall.
Portanto, é evidente a importância do cinema para a construção de uma sociedade mais engajada. Acerca disso, cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), órgão responsável pelos aspectos educacionais, promover um maior acesso ao conhecimento e ao lazer, por meio de instalações de cinemas públicos nas áreas urbanas mais periféricas, os quais devem possuir preços acessíveis à população local, a fim de evitar a situação de segregação de camadas da sociedade e a situação de insuficiência intelectual e crítica de algumas pessoas. Assim, o cidadão brasileiro poderá atingir a condição da plenitude da essência dita por Aristóteles.